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Renato Mauricio Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Cuidado! Assistir a jogos como City x Madrid tem séria contraindicação

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

26/04/2022 19h06Atualizada em 26/04/2022 19h08

Assistir a um autêntico recital de futebol, como foi o primeiro jogo da semifinal da Liga dos Campeões, entre Manchester City e Real Madrid, no Etihad Stadium (casa do time inglês) tem uma séria contraindicação: ser obrigado a ver, no mesmo dia, horas mais tarde, jogos do continente sul-americano, onde há um bom tempo se pratica outro esporte, até parecido, mas infinitamente mais pobre.

Tomemos, por exemplo, o que foi o recente Flamengo e Palmeiras, duelo elogiado com justiça, apesar do placar em branco. Detalhe, a partida reunia os dois finalistas da última Libertadores, ou seja, a elite do continente. Que distância técnica abissal entre esse jogo e o que se viu ser praticado pelas equipes de Guardiola e Ancelotti!

Além da enorme diferença de velocidade e intensidade, a comparação entre o número de jogadas de gol nos dois confrontos beira o absurdo. Flamengo e Palmeiras tiveram, cada um, três chances razoáveis para marcar; duas delas (uma para cada time) neutralizadas por grandes defesas de Hugo e Weverton e uma (do Flamengo) pela trave. E só.

Em Manchester, além dos sete gols (vou repetir, SETE GOLS contra nenhum aqui), as duas equipes criaram inúmeros grandes lances para balançar as redes, num ritmo frenético que por essas nossas bandas costuma ser chamado de "trocação".

O que mais me chamou a atenção, entretanto, nem foi isso, mas a evidente disposição dos dois lados de priorizar o ataque, ainda que a custo de ceder mais espaços em suas defesas. Por aqui, o que nossos treinadores mais exaltam (inclusive muitos dos estrangeiros) é a construção de defesas sólidas, que almejam ser intransponíveis, para só depois buscar um golzinho - e quando o conseguem, a partir daí, aumentam ainda mais os cuidados defensivos.

Claro, também existem no futebol do primeiro mundo, técnicos com essa mentalidade e bons resultados, que o diga o "cholo" Diego Simeone, do Atlético de Madrid. Mas de uma maneira geral, o que se tem visto nos campos europeus é a tentativa de um jogo altamente ofensivo, até mesmo por parte de times médios e alguns pequenos.

Falando do jogo em si, o City foi superior e poderia ter praticamente liquidado a fatura, não tivesse desperdiçado as muitas boas oportunidades que criou para marcar. Mas o Real Madrid deixa a Inglaterra vivo graças à sua dupla encantada formada por Benzema (que artilheiro excepcional) e Vinícius Jr. (que fez um gol de placa, após um drible desconcertante em Fernandinho).

Só torço para que, na próxima quarta-feira à tarde, no Santiago Bernabeu, em Madrid, possamos presenciar mais um jogaço como o do Etihad, em Manchester. Com essas duas equipes super ofensivas em campo, seja qual for o resultado, é bem provável que o show se repita. E aí será, novamente, uma árdua missão, acompanhar, à noite, os jogos do Brasileiro, da Libertadores, da Sul-Americana e que tais. Somos, nos dias de hoje, a Segunda Divisão do futebol mundial.