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Flamengo precisa de imensa e urgente faxina no futebol

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

03/04/2022 01h46Atualizada em 03/04/2022 01h46

Paulo Sousa é um fiasco. Após três meses de trabalho, ainda não foi capaz de montar nem sequer um esboço de time. É, indiscutivelmente, o pior treinador rubro-negro pós Jorge Jesus. Com um elenco muito superior nas mãos, levou um banho tático de Abel Braga e deixou escapar o inédito tetracampeonato carioca - o título mais fácil da temporada. Merece ser demitido. Mas não o será, porque o problema do Flamengo é muito maior.

Começa pelo presidente, um neófito deslumbrado no mundo da bola, muito mais preocupado com os seus projetos pessoais (vide a reeleição a que prometera não concorrer e o alinhamento com o presidente da República, que lhe rendeu a recente nomeação no conselho da Petrobrás) do que com o que acontece no clube, notadamente no departamento de futebol, onde não existe mais comando, hierarquia, nada. Virou uma casa da mãe Joana.

Marcos Braz, o vice-presidente "do ramo", acumula erros piramidais. Como escolher Paulo Sousa, treinador tão adepto e ortodoxo do jogo posicional quanto Domènec Torrent. Se deu errado com o catalão, por que daria certo com o novo português? Já estava mais que provado que o elenco de 2019 não se adaptava ao sistema - e, pior, não gostava dele. Como Braz e Bruno Spindel não viram o óbvio?

Os equívocos, porém, não param por aí. As renovações antecipadas com a "geração 85" (Diego Alves, Diego Ribas e Filipe Luís), mais que uma aposta arriscada em jogadores de 37 anos, revelou indesejável submissão a eles, sabidamente, "donos do vestiário" e empecilhos a qualquer trabalho de renovação - vide a "proteção" a amigos como Renê e Rodinei, jogadores limitadíssimos que já deveriam estar longe do grupo rubro-negro faz muito tempo.

Como se isso não bastasse, houve ainda a desastrosa venda de Gérson (que faz uma falta monumental ao meio-campo) e a incompreensível obsessão por Andreas Pereira, jogador habilidoso, mas taticamente inútil: não marca ninguém, nem arma coisa alguma. Pra que serve, afinal? Como pagar por ele 10 milhões de euros (metade do que o clube arrecadou com a negociação do "Curinga")?

Desde a saída de Jorge Jesus (e também a de Paulo Pelaipe), parece claro que o profissionalismo no futebol do Flamengo vem degringolando. O atual supervisor, um aparentado do vice-presidente e eminência parda do clube, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, é "parça" dos jogadores e as funções de Fabinho Soldado e Juan até agora não são claras, mas duvido que sejam agentes capazes de se impor e colocar ordem na casa.

A Libertadores começa na próxima terça-feira e nada indica que o Flamengo jogará um futebol melhor do que aquele que apresentou no Estadual - e foi paupérrimo. O adversário é o peruano Sporting Cristal, em Lima. Fortes emoções à vista...

Coincidência ou não, Jorge Jesus, segundo notícias vindas de Portugal, virá ao Rio para assistir ao desfile das escolas de samba, no Carnaval, e trará sua esposa, Ivone que, dizem, é o maior obstáculo para que retorne ao Brasil. Sua volta, com a família, seria, sem dúvida, a melhor solução - e ele já confidenciou a amigos próximos que gosta da ideia.

Que encanta também a maior parte da torcida, ainda que pareça improvável que possa reproduzir agora a magia de 2019, pois a "geração 85" já deu o que tinha que dar e jogadores como William Arão, Rodinei, Renê, Léo Pereira, Gustavo Henrique e outros tampouco se mostram dignos de seguir no rubro-negro. O verdadeiro Mister, entretanto, não seria o treinador mais adequado para conduzir tal reformulação?

Sonhar não custa nada. Porque, afinal, Paulo Sousa é um autêntico pesadelo...