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RMP: Transferência para o Al-Hilal é arriscada para Michael

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

16/01/2022 20h20Atualizada em 16/01/2022 20h20

O Al-Hilal, da Arábia Saudita, quer comprar Michael. Já fez uma proposta de 8 milhões de dólares à vista, recusada pelo Flamengo, mas parece inclinado a aumentar o valor o que, segundo se comenta na Gávea e no Ninho do Urubu, pode ser decisivo para que a transação se concretize.

Há quem ache que seria um bom negócio; há quem não veja vantagem em vender aquele que foi, sem dúvida, o melhor jogador do time no segundo semestre do ano passado. Tendo a concordar mais com a turma que acredita que o "Chuck" ainda pode ser muito útil ao rubro-negro, especialmente numa temporada tão complicada como a deste ano. Se para o seu lugar, viesse Soteldo, a transação, em termos da qualidade do elenco, até poderia fazer sentido. Caso contrário, não.

Mas não é sobre os aspectos técnicos e financeiros do possível negócio que quero me ater. Prefiro analisar um aspecto que não vi até agora ninguém abordar, é sério e me parece importantíssimo. Os efeitos que a possível transferência pode causar em um ser humano que se declarou frágil psicologicamente.

Ou os dirigentes do Flamengo e os empresários do jogador já se esqueceram da severa depressão sofrida por Michael, em 2020? Ele próprio falou a respeito, em entrevista ao Canal Barbaridades:

"Eu tive depressão no ano passado (2020), sofri muito com isso. Na época, estava no hotel e quis me suicidar. Me veio (uma série de) pensamentos ruins e eu queria saber como era me jogar do prédio. Então, gritei por socorro, pela minha mulher, pelo doutor Tanure, Diego Ribas, Diego Alves, Filipe Luís, o Rafinha, o Marcos Braz também. Eles me fizeram ser querido, ser abraçado. Eles tiveram um cuidado comigo, que ninguém antes tinha tido".

Michael passou a se tratar com um psiquiatra, como revelou na mesma entrevista. E isso, aliado ao carinho dos companheiros, contribuiu decisivamente para que recuperasse o equilíbrio e voltasse a jogar o futebol que o consagrou no Goiás, tornando-se o atacante mais decisivo do Fla nos últimos meses da temporada passada.

Aí me pergunto: ele já estará pronto para se mudar para a Arábia Saudita e voltar a morar num hotel, num país estranho, cuja língua não domina (nem dominará tão cedo), num clube em que todos os seus colegas (a maioria de estrangeiros) voltarão a ser estranhos?

Já tive depressão. Nunca cheguei a pensar em suicídio, mas sei como essa doença é séria e traiçoeira. Trato-me até hoje, para que não volte. E, confesso, temo por Michael caso o Flamengo aceite vendê-lo para o Al-Hilal. Pedir aos dirigentes rubro-negros, notórios por sua insensibilidade, que pensem nisso, infelizmente, soa como pregar no deserto. Tampouco seus agentes se sensibilizariam com o risco. O negócio deles é grana! Que se dane o jogador.