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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Seleção de Tite consegue a proeza de piorar ainda mais

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

10/10/2021 20h53Atualizada em 10/10/2021 21h18

Quem viu o primeiro tempo do jogo do Brasil contra a Venezuela, na terça-feira passada, achou que o time de Tite havia chegado ao fundo do poço. Ledo engano! Se na pálida vitória sobre a lanterna das eliminatórias sul-americanas, os brasileiros conseguiram melhorar um pouco na segunda etapa, graças às entradas de Raphinha e Antony; dessa vez, diante de um dos mais fracos selecionados da Colômbia em todos os tempos, a equipe brasileira foi um desastre do início ao fim.

Há tempos, quem enxerga o trabalho do treinador com um mínimo de isenção sabe que seu esquema (supostamente moderno) gira em torno de um único jogador: Neymar. Contra a Venezuela, suspenso, ele não jogou. Diante da Colômbia, escalado, tampouco fez a diferença. É péssima a sua fase técnica. Não vem acertando praticamente nada, nem com a camisa do Brasil nem com a do Paris Saint Germain. E sem o seu brilho, o time de Tite não existe.

É natural que se espere que Neymar vá recuperar a forma. Mas achar que ele sozinho será capaz de levar o Brasil nas costas, na Copa do Catar, soa, no mínimo, a otimismo exagerado. Porque, mesmo com o camisa 10 em forma, o esquema do "professor Adenor" é ruim.

Entre outras coisas, é um autêntico cemitério de centroavantes. As vítimas da vez são Gabriel Jesus e Gabigol. A bola não chega a eles. Porque a seleção não tem jogadas linhas de fundo, nem pelo meio, nem por lugar algum. Não há tática nem estratégia. É bola no Neymar e ele que se vire.

Os laterais não sobem quase nunca, o meio-campo tem sempre dois volantes marcadores e o armador do momento, Lucas Paquetá, não passa de um bom jogador. Com claras limitações.

É verdade que jovens como Raphinha e Antony são sopros de esperança. Mas Tite terá coragem de torná-los titulares? E suas "instruções" não tolherão seus talentos? Vinícius Jr., quando lançado desde o início, foi transformado em auxiliar de lateral...

Quem acompanhou os jogos da Liga das Nações e não é "Pacheco" (aquele torcedor tresloucado do Brasil) não tem o direito de crer que nossa seleção está em condições de enfrentar os europeus mais fortes de igual para igual no próximo Mundial. Quem viu Itália x Bélgica e França x Espanha assistiu a outro esporte.

A equipe de Tite joga em rotação infinitamente mais lenta. Parece em câmera lenta. Pratica um jogo semelhante aos que eram disputados aqui, nos anos 70. Sem um milésimo do talento que nossos craques tinham naquela época. Desanimador.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado