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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

RMP: Perna de Renê e cabeça de Renato não estavam boas no Independência

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

26/09/2021 16h49Atualizada em 26/09/2021 16h51

O Flamengo deixou escapar, nos acréscimos, uma vitória que lhe permitiria voltar a depender apenas de seus resultados para conquistar o tricampeonato brasileiro consecutivo. Enfurecidos, inúmeros rubro-negros culpam Renato Gaúcho pela decisão de poupar praticamente todos os titulares para a partida semifinal da Libertadores, na próxima quarta-feira, contra o Barcelona de Guayquil. Sim, dessa vez, ele tem culpa no cartório. Mas nem acho que seu maior erro tenha sido esse.

A equipe que foi a campo era forte o suficiente para derrotar o fraco América-MG. Desde que jogasse e se impusesse como bicampeã que é, não como um timinho disperso, que acha que vai ganhar quando quiser e dá espaço para a saída de bola e as armações do rival no meio-campo, sonhando explorar contra-ataques, como tentou fazer sem sucesso na maior parte do tempo.

Preocupado em fortalecer o sistema defensivo (a pior herança que recebeu de Rogério Ceni), Renato vem, cada vez mais, recuando a própria zaga e os volantes - "baixando as linhas", como adoram dizer os pupilos do linguajar empolado do técnico da seleção.

Com isso, o Flamengo tem diminuído muito a pressão pós perda de bola (implantada com estrondoso sucesso por Jorge Jesus), pois se o time não avança em bloco, os adversários encontram campo suficiente para se livrar da sombra que lhes fazem os atacantes rubro-negros.

É verdade que no elenco rubro-negro há jogadores excepcionais para contra-atacar: Bruno Henrique, Gabigol, Michael e, nos bons dias, até Vitinho. É fato também que algumas das icônicas vitórias dos tempos do Mister nasceram em lindos gols conquistados dessa maneira.

Pode ser até uma alternativa interessante, contra um adversário poderoso, como o Atlético Mineiro. Mas esperar que adversários tecnicamente bem inferiores, como o América-MG, caiam sempre nessa esparrela é um erro que pode custar caro. Como custou no Independência.

Renato escolheu mal a forma de jogar e se equivocou também na distribuição das funções em campo. Sabe-se lá o porquê, convencido de que Thiago Maia atua melhor como meia-armador, vem cismando em avançá-lo e, contra os mineiros, coube a Diego, que voltava de um período inativo, formar o par de volantes com William Arão. Duplo erro. O meio-campo simplesmente não funcionou.

Mas onde o técnico meteu os pés pelas mãos mesmo foi na escalação e, principalmente, na insistência com o limitadíssimo Renê, em detrimento do jovem e promissor Ramon. A escolha, por si só, já é ruim. Não ter feito a correção que se impunha, depois de perceber, com clareza, que ali estava o mapa da mina para o rival foi imperdoável.

- Você está com a perna boa? - perguntou o treinador ao lateral, no tempo técnico do primeiro tempo, recebendo como resposta que ali, pelo setor dele, as coisas estavam complicadas (usou um palavrão, para reforçar).

E Portaluppi nada fez, apesar do baile que o lateral levava de Ademir, desde o primeiro ataque do América. O castigo veio nos acréscimos, quando o Flamengo estava a dois minutos de conquistar uma vitória que nem merecia (graças a um gol de placa de Michael, driblando seis adversários!). E que teria sido importantíssima.

Renê errou na saída de bola, foi driblado, a jogada teve sequência do outro lado da área e quando veio o cruzamento para Alê, quem estava na marcação dele? O mesmo Renê, incapaz de ao menos atrapalhar a cabeçada fatal. Um desastre completo. Que poderia ter sido evitado.

Na manhã de domingo, no Independência, se a perna de Renê não estava boa, a cabeça de Renato também não. E quem pagou o pato foi o Flamengo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado