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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Vitórias da seleção de Tite são do tipo 'Me engana que eu gosto'

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Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

03/09/2021 02h44Atualizada em 03/09/2021 02h51

As eliminatórias sul-americanas são a nova versão dos estaduais, os populares "Me engana que eu gosto". Prova maior é a seleção de Tite, que venceu as sete partidas que disputou até agora sem jogar bulhufas. A desculpa da hora é a ausência dos "europeus" que não foram liberados. Tremenda balela.

Até parece que, quando completa, em algum momento a equipe brasileira encantou. Nada disso. E, mesmo com os desfalques de agora, se o técnico fosse um pouco mais competente, era obrigatório jogar mais do que se viu no Chile, diante de um adversário fraco e envelhecido que faz campanha pífia numa competição de nível baixíssimo.

Mas o que esperar de um treinador que acha inteligente escalar Vinícius Jr. e obrigá-lo a atuar como auxiliar do lateral-esquerdo? E força também Gabigol a "recompor", afastando-o da área adversária, onde reconhecidamente é um dos atacantes brasileiros mais eficientes? Pior, não tem coragem de substituir Neymar, nitidamente fora de forma e acima do peso, mesmo quando ele se arrasta em campo e faz a pior apresentação de sua carreira com a camisa da seleção brasileira?

Em sua gloriosa passagem pelo futebol brasileiro, Jorge Jesus mostrou como estavam atrasados os técnicos daqui. Tite não é exceção. Dá para comparar o futebol exibido pelo Flamengo de 2019 e início de 2020 com o praticado pelo Brasil de Adenor, que tem o filho como um dos principais assessores? É ele quem instrui os jogadores na hora das substituições!!!

O Tite que perdeu a Copa de 2018, sem que o Brasil jogasse bem nem sequer uma vez nos gramados russos, é o mesmo quase quatro anos depois. Continua a achar que os jogadores têm que se adaptar ao seu sistema e não o contrário. E é capaz de produzir bizarrices como postar Éverton Ribeiro pelo meio, com Gabriel pela direita, e não como jogam e rendem bem no Flamengo - em posições inversas.

As entradas de Éverton e Gerson, aliás, salvaram o time, após um primeiro tempo desastroso, no qual Weverton foi o melhor brasileiro em campo, com três defesas salvadoras. Mas nem assim dá pra dizer que o Brasil jogou bem. Ganhou porque o rival era fraquíssimo.

A seleção de Tite vence, mas não convence. Porque manieta seus jogadores num esquema que só é moderno na cabeça de seu treinador. Um esquema que se caracteriza por tornar o Brasil um cemitério de atacantes (Firmino, Richarlisson, Gabriel Jesus, Gabigol etc.), que entram em campo com tantas funções defensivas que balançar as redes adversárias se tornou um detalhe de menor importância.

A equipe de Adenor é covarde. Preocupa-se mais em não sofrer gols do que em marcá-los. A antítese do que fazia Jorge Jesus, o melhor treinador das últimas décadas no país.

Há que ser muito "pacheco" para acreditar que o Brasil, hoje em dia, tem condições de jogar de igual para igual com as principais seleções europeias. Caminhamos a passos largos para perder mais uma Copa. Nossa única opção ofensiva é "bola pro Neymar". Os demais que tratem de se esfalfar na marcação, para que o time de Tite, pelo menos, não sofra gols.

Pobre futebol brasileiro!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado