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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

É preciso reagir à absurda Copa América no Brasil

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

31/05/2021 14h12Atualizada em 31/05/2021 14h14

Fazer a Copa América no Brasil é...

(Eleja sua denominação predileta. Eis algumas sugestões:)

Escárnio, ilógico, disparatado, despropositado, irracional, insensato, maluco, ridículo, kafkiano, disparate, despropósito, insensatez, tolice, asneira, despautério, desatino, barbaridade, erro, deboche, crime...

Qualquer que seja a sua escolha, esse completo absurdo será, além disso, um bofetão na cara da sociedade brasileira e uma afronta às quase 500 mil famílias enlutadas pela pandemia devastadora que, por aqui, foi anunciada e tratada como uma "gripezinha" por um governo insano, irresponsável e negacionista.

O Brasil é o segundo do mundo em número de mortos: 462 mil, no momento em que escrevo. É também o país sul-americano com maior índice de fatalidades por milhão de habitantes: 2,160 contra 2,077 do Peru, 1,718, da Colômbia e 1,700 da Argentina, que acaba de desistir de sediar a competição por causa da terceira onda de contaminações que a assola.

O que pretendem a CBF e o governo? Importar novas cepas do coronavírus, capazes de agravar ainda mais um quadro devastador e sem perspectiva de melhora a não ser a longo prazo?

O que esse torneio mequetrefe, autêntico Me Engana Que Eu Gosto em termos de preparação para a Copa do Mundo, pode trazer de positivo para o futebol brasileiro? Nada. Apenas encherá ainda mais os bolsos dos cartolas de sempre.

Pior: o sonho da Conmebol e da própria CBF é realizar a final desse autêntico torneio da morte com público, se possível no Maracanã!

A sociedade brasileira precisa reagir. Não dá mais pra ficar inerte diante de tanto escárnio. Os governadores que se recusem a sediar jogos em seus estados, os torcedores que se organizem em protestos e hastags contrárias à realização desse torneio sem sentido, os dirigentes que recusem a liberação de seus jogadores convocados e a imprensa que faça o seu papel e critique e denuncie tudo que puder, sem dó, sem parar.

Copa América no Brasil, não!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado