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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Quando Ceni dará a mão à palmatória?

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

16/05/2021 02h21Atualizada em 16/05/2021 10h13

Errar é humano, insistir no erro é tolice, ensina o velho dito. Quantos jogos e quantos gols mais o Flamengo precisará sofrer para que Rogério Ceni entenda que sua, teoricamente boa, ideia de recuar William Arão para a zaga e escalar Diego como volante, na prática, não funciona? O primeiro Fla-Flu da decisão do Carioquinha foi apenas mais um exemplo.

O rubro-negro teve muito mais posse de bola, dominou amplamente o tricolor, principalmente no primeiro tempo, mas acabou cedendo o empate e por muito pouco não acabou derrotado - Luís Henrique teve a bola do jogo e a chutou para fora, livre, diante do goleiro Gabriel Batista.

Enquanto os atacantes rubro-negros se fartam de desperdiçar gols no ataque, a defesa concede chances aos rivais sem parar. E os problemas não são apenas falhas individuais, como Ceni gosta de apontar: o sistema defensivo todo é um desastre. Uma autêntica avenida.

William Arão não tem nem sequer cacoete de zagueiro. E Diego, apesar do comovente esforço com que se entrega à função, é incapaz de proteger suficientemente a zaga, como primeiro volante. Já está mais que óbvio que, apesar de todos os treinamentos e da insistência do técnico, a fórmula não funciona. Quando Ceni dará a mão à palmatória?

O Fluminense, de Roger Machado, nem sequer fez uma boa partida. Não precisou, para chegar a um empate que o mantém na luta pelo título que não conquista desde 2012. Apesar do empate em 1 a 1, na primeira partida, o Flamengo ainda é o favorito para chegar ao seu sexto tricampeonato, mas com uma defesa tão frágil, a verdade é que tudo pode acontecer.

Em tempo: vergonhosa a atitude da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, que distribuiu 150 convites para cada clube e para a TV que transmite o Estadual, apesar da proibição da Prefeitura, seguindo determinação da Secretária de Saúde. O resultado, além da aglomeração nos setores em que ficaram tais torcedores foi uma confusão infernal, ao final da partida, com insultos e ameaças de parte a parte ao final do jogo.

Em tempo 2, a missão: que partida fez o Gérson! Disparado o melhor em campo. Se o Flamengo, realmente, o vender por 25 milhões de euros para o Olympique, estará entregando um cracaço por um valor infinitamente menor do que vale o seu grande futebol.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado