PUBLICIDADE
Topo

Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ousadia tática de Rogério Ceni faz água no Chile

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

12/05/2021 03h18Atualizada em 12/05/2021 03h20

A ideia é sedutora: escalar os principais talentos do meio-campo para frente e compensar eventuais debilidades defensivas com um jogo ofensivamente sufocante, baseado na alta qualidade de seus jogadores. Foi isso que levou Rogério Ceni, ainda no Brasileiro de 2020, a recuar William Arão para a zaga e colocar Diego como primeiro volante. Uma decisão ousada que tem ônus e bônus. O custo-benefício é que consagrará ou desgraçará tal teoria.

No Chile, contra o fraco La Calera (lanterna de seu grupo na Libertadores), o saldo foi desanimador. Enfrentando um ataque incipiente, o sistema defensivo rubro-negro falhou clamorosamente nos dois gols chilenos e, perdendo por 2 a 0, os atacantes foram incapazes de reverter a situação para assegurar os três pontos e os 100% de aproveitamento que garantiriam ao rubro-negro carioca a classificação antecipada e, provavelmente, o primeiro lugar em sua chave. A muito custo, a derrota foi evitada com o empate em 2 a 2.

E se no primeiro tento chileno pode-se responsabilizar Bruno Viana, que falhou três vezes no mesmo lance (!!!), no segundo, um dos problemas crônicos da equipe voltou a dar o ar da graça. Escanteio contra e marcação completamente perdida. Resultado? Arão acabou tocando para o fundo da rede do Fla. Foi o sétimo gol sofrido em cobranças de corner, somente na atual temporada - fora outros em diversos tipos de bola parada.

Muito se fala na má qualidade dos beques do elenco do Flamengo. Mas suas deficiências não estarão sendo maximizadas por essa formação na qual um volante virou zagueiro e um meia-armador (de 36 anos) se tornou o primeiro cabeça-de-área? E não ficam mais expostos também pela obrigação de sair jogando em passes curtos, quando nem sempre têm qualidade para tanto?

Acho muito difícil que Ceni reconheça que sua inovação ainda não funciona a contento e que seria mais prudente voltar a ter um volante de ofício (o próprio Arão ou Hugo Moura) e, na defesa, dois zagueiros de verdade. Atuações defensivas desastrosas como a que se viu no Chile, diante de um adversário mais forte podem significar eliminação na fase de mata-mata da Libertadores.

Rogério Ceni continuará a apostar tudo contra a banca?

Teimosia assustadora

Éverton Ribeiro voltou a não jogar nada. Seu único lance de destaque foi no pênalti que sofreu. Em compensação, foi de um erro seu que nasceu o contra-ataque que originou o escanteio e o segundo gol chileno. Deveria ter sido substituído por Pedro ou por Vitinho. Mas Ceni achou melhor tirar João Gomes, que estava bem na partida. E deixou Vitinho no banco, embora ainda tivesse duas alterações a fazer. Vai entender...

E agora, Abel?

Praticando um jogo reativo, mas altamente eficiente, o Palmeiras derrotou o Independiente Del Valle, em Quito (façanha para poucos) e, com 100% de aproveitamento (agora é o único na competição), classificou-se antecipadamente para as oitavas de final da Libertadores? Será que agora usará os titulares, em busca do título paulista? Acho que Abel Ferreira ainda resistirá à ideia, mas a pressão da torcida será grande.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado