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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Show, susto e vitória histórica do Flamengo

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

05/05/2021 02h28Atualizada em 05/05/2021 02h31

Uma atuação primorosa no primeiro tempo, um desequilíbrio preocupante no segundo (causado em boa parte pelo desgaste do jogo na altitude) e, ao final, uma vitória épica e histórica, quando a derrota, em determinado momento, chegou até a parecer possível.

Assim o Flamengo triunfou pela primeira vez em um jogo oficial em Quito, somou nove pontos em três rodadas, aproveitamento também inédito na Libertadores, e encaminhou a sua classificação para as oitavas de final da principal competição do continente.

Diante disso, apesar do susto, quando a LDU chegou ao empate, a torcida rubro-negra teve motivos de sobra para dormir feliz. Jogando como que por música, nos 45 minutos iniciais, o time de Rogério Ceni reafirmou a capacidade de enfrentar e, por que não dizer, vencer qualquer adversário.

Ainda não é uma equipe avassaladora e praticamente sem falhas, como a de Jorge Jesus, mas já começa a encantar e os resultados na atual temporada são excelentes - ganhou os dois títulos disputados até agora (Supercopa do Brasil e a Taça Guanabara) e tem grandes chances de conquistar o terceiro, no Estadual, no qual já está virtualmente classificado para a final.

Fator determinante na excelente atuação da primeira etapa, em Quito, Éverton Ribeiro, enfim, voltou a jogar bem - ao menos enquanto teve fôlego, pois cansou no segundo tempo. A jogada e o passe para Gabigol abrir o placar, com menos de cinco minutos de bola rolando, foram primorosos. E, pouco depois, por pouco não marcou também o seu, num bom chute de fora da área, espalmado pelo goleiro com a ponta dos dedos.

Com os quatro "avançados", como Jesus costumava chamar Éverton Ribeiro, Arrascaeta, Gabigol e Bruno Henrique, atuando em alto nível e com liberdade para se deslocar e trocar de posições por todo o ataque, o Flamengo é uma equipe excepcional.

E se o desfalque de Gérson, o quinto elemento desse grupo fora de série, nem chegou a ser sentido, isso se deve ao ótimo desempenho do jovem João Gomes, que deu até passe de letra, na linda trama que culminou com o chutaço de Bruno Henrique, no ângulo. Exausto, João precisou ser substituído por Hugo Moura, na metade do segundo tempo.

Para não dizer que só falei de flores, a defesa rubro-negra voltou a falhar nas bolas altas. William Arão bobeou na marcação de Borja, no primeiro gol, e ele e Bruno Viana deixaram Amarilla, livre entre os dois, marcar de barriga o segundo.

Substituto de Diego Alves, que voltou a sentir um problema muscular (e já começa a disputar com Rodrigo Caio o posto de maior cliente do departamento médico), o jovem Hugo Neneca também se tornou um ponto de preocupação. Saiu mal do gol, mais de uma vez, em outras, não saiu, quando deveria e as duas únicas bolas da LDU que foram na direção de sua baliza entraram... O que aconteceu com aquele goleiro tão promissor?

Quarteto de ferro

Se o sorteio não os colocar frente a frente, mais cedo, Flamengo, Palmeiras, Atlético Mineiro e São Paulo parecem em condições de fazer semifinais 100% brasileiras nesta edição da Libertadores. Das equipes estrangeiras só o River Plate de Marcelo Gallardo se mostra no mesmo nível. Internacional, Fluminense e Santos, ao menos até agora, estão um degrau abaixo. E os demais estrangeiros, aí incluído até o Boca Juniors, por enquanto, não assustam ninguém.

Sonho interrompido

Uma vez mais, o sonho de Neymar, de vencer uma Liga dos Campeões, como protagonista, acabou adiado. Sem Mbappé, ele tentou ganhar o jogo sozinho, teve atuação discreta e a imprensa francesa não o poupou de pesadas críticas, na derrota para o Manchester City.

Será que a renovação de contrato com o PSG, que antes das semifinais parecia bem encaminhada, acontecerá agora ou Leonardo (que nunca morreu de amores por ele) mudará de ideia? Os próximos capítulos em Paris prometem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado