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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Em noite de Pedro e Gabigol, Michael e Vitinho decidem

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

25/04/2021 00h37Atualizada em 25/04/2021 00h39

O futebol tem seus caprichos - e por isso é apaixonante. No jogo em que Rogério Ceni resolveu, enfim, escalar lado a lado os festejados artilheiros Gabigol e Pedro, os autores dos gols da vitória do Flamengo, que valeu o título da Taça Guanabara, foram Michael e Vitinho, os atacantes reservas mais contestados pela torcida.

Foi uma noite de bem-vindas experiências feitas pelo treinador rubro-negro. Da zaga ao comando de ataque. No miolo da defesa, Ceni optou por dois zagueiros de origem, Bruno Viana e Gustavo Henrique, devolvendo William Arão à cabeça da área - algo que boa parte dos torcedores vinha pedindo, devido às falhas do improvisado beque. Já na frente, ocorreu também a tão esperada união da dupla de goleadores - outra demanda de muitos rubro-negros.

Pouco importa que, dessa vez, Pedro e Gabigol não tenham chegado a brilhar juntos - bem que tentaram várias tabelinhas, mas todas acabaram frustradas. O importante foi a mensagem do técnico que já admite a possibilidade de usar a dupla em determinadas circunstâncias ou contra certos adversários. O mesmo se pode dizer da saída de Arão da zaga, não imediatamente, mas quando parecer adequado ou conveniente. Tudo que a torcida quer é que seu time não seja engessado em fórmulas que muitas vezes apresentam deficiências.

O mais provável é que, contra o Unión La Calera, na próxima terça-feira, no Maracanã, o time titular seja o mesmo que enfrentou o Vélez: Diego Alves, Isla, Arão, Gustavo Henrique e Filipe Luís; Diego, Gerson, Arrascaeta e Everton Ribeiro; Gabigol e Bruno Henrique.(Rodrigo Caio ainda é dúvida).

Escalação que parece acertada para enfrentar um adversário tecnicamente mais fraco e que deve vir para jogar retrancado, torcendo por uma bola em contra-ataque. Neste quadro tático, vale a pena se expor em troca de uma saída de bola mais qualificada e um meio-campo formado por jogadores talentosos e especialistas na armação das jogadas ofensivas.

Em outras situações, diante de rivais mais fortes, pode ser melhor contar com dois zagueiros de ofício e um volante mais marcador. E foi isso que Rogério sinalizou na última rodada da Taça Guanabara. Uma evolução diante da postura que mantinha até então. O mesmo raciocínio vale para o ataque, onde a dupla Pedro e Gabigol pode ser uma solução alternativa.

Na vitória sobre o bem armado time do Volta Redonda, o Flamengo, com um time misto, não chegou a brilhar. Mas fez o bastante para vencer, único resultado que lhe garantiria mais uma taça e a vantagem de dois resultados iguais, nas semifinais do Estadual, que ainda não tem nem sequer datas definidas - dá-lhe, Rubinho.

Na terça-feira que vem, na Libertadores, a obrigação primordial do rubro-negro é somar três pontos, que lhe garantirão mais uma rodada na liderança do seu grupo, independentemente dos resultados dos rivais. Mas é possível sonhar com uma grande atuação, que traga de volta o carrossel de seus grandes talentos do meio-campo para a frente.

Em tempo: Michael e Vitinho, mesmo ainda errando muito, merecem elogios pela entrega e, claro, pelos gols decisivos. E Éverton Ribeiro, que entrou no final, acertou alguns bons passes! Estará começando a acordar? Se isso acontecer, aumentam consideravelmente as chances de o Flamengo em todas as competições que disputa.

Em tempo II: quando Muricy Ramalho assumiu o São Paulo, anos atrás, o tricolor paulista sofria gols seguidos em bolas altas sobre a sua área.

- A primeira coisa que fiz foi treinar, treinar e treinar o posicionamento dos zagueiros e do goleiro nas bolas paradas. Só quando consegui acertar isso, parti para ajeitar o restante do time (que ganhou três títulos brasileiros seguidos) - contou, certa vez, Muricy, num Bem, Amigos já perdido no tempo. Eu estava lá.

Quem era o goleiro do São Paulo nessa época? Rogério Ceni. Será que não deveria fazer o mesmo agora no Flamengo? Não é possível continuar sofrendo tantos gols assim.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado