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Renato Maurício Prado

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Grupo da Morte? Só se for para os adversários do Flamengo

Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

10/04/2021 04h00

Grupo da Morte? Nem tanto. É claro que o Barcelona do Equador, o Sporting Cristal do Peru e o Deportivo La Guaira da Venezuela teriam sido adversários teoricamente bem mais fáceis que a LDU de Quito, o Vélez Sarsfield da Argentina e o Unión La Calera, do Chile. Mas com o elenco que o Flamengo tem não faz sentido temer qualquer rival nesta fase de grupos. Basta jogar o futebol que esse time já provou ser capaz, em 2019, e parece ter ressuscitado, no retorno de seus titulares, em 2021.

O rival mais difícil pra mim será o Vélez, líder de um dos grupos do atual campeonato argentino e reconhecidamente uma equipe bem montada pelo técnico Mauricio Pellegrino, profissional com passagens em três clubes espanhóis (Valência, Alavés e Leganés) e um inglês (Southampton). Antes, em início de carreira, foi assistente no Liverpool e no Barcelona.

Mas apesar da boa campanha no torneio nacional, o Vélez está longe de ser uma equipe regular e cem por cento confiável. Por exemplo: em sua única derrota no campeonato (que tem até o momento apenas oito rodadas disputadas), levou uma goleada de 7 a 1 do Boca Juniors. E acaba de perder uma final para o Banfield e ser eliminado pelo Talleres, na Copa da Argentina. Decididamente, não é um bicho papão.

Não é nenhum absurdo sonhar com uma vitória rubro-negra na partida de estreia, marcada para o próximo dia 20, no José Amalfitani, em Buenos Aires. Neste jogo, o Flamengo deve reencontrar o seu antigo jogador Mancuello, agora transformado em volante e titular do meio-campo do Vélez, onde tem como companheiro uma das maiores promessas do futebol argentino, o jovem Thiago Almada.

A LDU surge como terceira força no Grupo G. O fato de jogar na altitude de Quito (2.850 metros acima do nível do mar) é sempre uma dificuldade a mais, mas este ano a equipe, dirigida pelo uruguaio Pablo Repetto tem sido muito criticada, pelo estilo de jogo extremamente defensivo, e ainda não venceu após seis rodadas do campeonato equatoriano (tem quatro empates e duas derrotas).

Não custa lembrar, no ano em que conquistou o seu segundo título na Libertadores, em 2019, o Flamengo também teve a LDU em seu grupo. Perdeu por 2 a 1, de virada, no jogo de ida, em Quito, e venceu, na volta, no Maracanã, por 3 a 1. Nos dois jogos foi dirigido por Abel Braga.

Uma curiosidade: o artilheiro da LDU é Cristian Borja, aquele mesmo que passou um ano emprestado no Flamengo, levando a torcida à loucura. O centroavante até foi o autor do gol de sua equipe, na derrota no Maracanã, em 2019, mas está longe de ser um atacante capaz de meter medo na zaga rubro-negra. Ah, com a camisa rubro-negra fez um gol num Fla-Flu. E só!

Resta o estreante Unión La Calera, do Chile. Vice-campeão de seu país na temporada passada (resultado que lhe garantiu a primeira classificação para a Libertadores) é o patinho feio da chave. Trocou de treinador após a melhor campanha de sua história e é agora dirigido pelo argentino Luca Marcogiuseppe, que substituiu seu compatriota Juan Pablo Vojvoda.

Giuseppe foi analista de Marcelo Bielsa, mas não tem trabalhos de destaque na carreira profissional. Na maior parte dela, dirigiu times de juniores. Quinto colocado no atual torneio chileno, tem como um de seus destaques o velho conhecido do futebol brasileiro Jorge Valdívia (ex-Palmeiras) que, em seus melhores momentos (já faz muito tempo!) chegou a ser chamado de El Mago. Mas para derrotar o Flamengo, convenhamos, será preciso bem mais que mágica. Só mesmo fazendo um milagre...

Conclusão: o Flamengo tem tudo para ser o primeiro colocado no Grupo G que só deve ser considerado da morte para seus adversários.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado