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Renato Maurício Prado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rogério Ceni, indefensável, assistiu, inerte, à despedida do Flamengo

Flamengo de Rogério Ceni perdeu a chance de ser líder do Brasileirão - FERNANDO ROBERTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Flamengo de Rogério Ceni perdeu a chance de ser líder do Brasileirão Imagem: FERNANDO ROBERTO/ESTADÃO CONTEÚDO
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

08/02/2021 04h00

Imaginemos que você seja o técnico de um time de futebol que precisa vencer a qualquer custo e, aos 17 minutos do segundo tempo, sofre o gol de empate. Detalhe: em campo, você tem um atacante que não está jogando bulhufas (faz tempo!) e no banco de reservas conta com um dos principais artilheiros do futebol brasileiro. O que você faz? Bem, Rogério Ceni não fez nada.

Não apenas manteve Éverton errando tudo até o apito final, como só fez entrar Pedro aos 41 minutos, vou repetir, 41 minutos do segundo tempo! Dessa vez, ao menos, não foi no lugar de Gabigol. Mas saiu Gérson, um dos melhores na partida até ali. Mesmo cansado, era bem mais provável que o camisa oito ainda conseguisse criar algo útil, ao contrário do outrora brilhante camisa sete, que atualmente não consegue dar prosseguimento a uma jogada sequer.

As decisões de Ceni (e a demora delas) são indefensáveis. O Flamengo jogava bem até levar o gol de empate, numa bobeada homérica do lateral-direito Isla. Mas vencia por apenas 1 a 0, gol de pênalti de Gabigol, e se o lado esquerdo de seu ataque, com Filipe Luís, Arrascaeta, Gerson e Bruno Henrique, mostrava-se eficiente na marcação por pressão e criava boas jogadas ofensivas; o lado direito era uma nulidade, fruto da fase terrível de Éverton Ribeiro e das conhecidas limitações de Isla.

O Red Bull Bragantino, indiscutivelmente, teve seus méritos. É uma boa equipe, bem armada por Maurício Barbieri e conta com um jogador especial: Claudinho (nessa noite, sempre marcado de perto por João Gomes). Mas o Flamengo era superior até sofrer o empate. E foi aí que Ceni se mostrou absolutamente incapaz de reagir às mudanças do jogo e às alterações promovidas pelo técnico rival, que conseguiu equilibrar a partida e chegou a ter, no final, oportunidades para vencê-la.

Os atacantes rubro-negros perdem muitos gols? Sim. E perderam, novamente nessa noite em Bragança. Mas Rogério Ceni parece nem se preocupar com o fato, pois já disse em entrevistas anteriores, que não leva em conta os gols perdidos e sim as chances criadas. Vai entender... Num time que precisava de quatro vitórias consecutivas para garantir o título brasileiro, sem depender de outros resultados, não é admissível que seu treinador seja tão apático para promover as modificações necessárias e tão pouco criativo e ousado ao fazê-las - são sempre as mesmas.

Se o Inter vencer o Sport, na próxima quarta-feira, no Beira-Rio, a distância entre ele e o Flamengo voltará a ser de quatro pontos, ou seja, agora, mesmo que vença o confronto direto, na penúltima rodada, no Maracanã, o Flamengo ainda precisará torcer para que o Colorado tropece diante do Vasco ou do Corinthians - e que ele derrote o Timão e o São Paulo.

Combinação que já soa pra lá de improvável com Rogério Ceni como treinador. É mais sensato a torcida rubro-negra comece a dar adeus às ilusões e os dirigentes tratem de escolher rapidamente quem dirigirá o elenco mais caro do país na temporada de 2021. A melhor opção? Passa por uma possível demissão de Jorge Jesus do Benfica...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado