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Renato Maurício Prado

Luxa queria desafiar um português e está sendo enterrado por outro

Luxemburgo comanda o Palmeiras diante do Coritiba, no jogo que marcou sua demissão - Marcello Zambrana/AGIF
Luxemburgo comanda o Palmeiras diante do Coritiba, no jogo que marcou sua demissão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

30/11/2020 04h00

Ironia do destino. Não foi Jorge Jesus (a quem ele tanto queria desafiar, à frente de um elenco poderoso, como o do Palmeiras), mas outro português, Abel Ferreira, quem está assinando o atestado de óbito profissional de Vanderlei Luxemburgo.

Depois de se queixar que o grupo que tinha nas mãos era curto e ser demitido após três derrotas consecutivas, aquele que já foi o melhor treinador do Brasil assiste à humilhação de ver, rodada após rodada, os mesmíssimos jogadores brilharem sob a batuta do sucessor lusitano.

Chega a ser chocante comparar o desempenho do time palmeirense nos tempos de Luxemburgo com as atuações de agora. Na verdade, após a saída dele, sob o comando de Andrei Cebola, a diferença já se tornou evidente.

Zé Rafael, Gustavo Scarpa, Roni e até Lucas Lima são exemplos de jogadores que se transformaram desde que o "profexô" se foi e o português chegou. Nem parecem os mesmos. Antes, inseguros, passaram a esbanjar confiança e o futebol deles refloresceu.

Em termos táticos, a mudança também é gritante. O Palmeiras de Abel, ao contrário do que era, até mesmo quando ganhava com Vanderlei, passou a ser uma equipe envolvente, ofensiva, segura e eficaz. Forte candidata a tudo que disputa: Copa do Brasil, Libertadores e Brasileiro. Nada a ver com aquele futebolzinho mixuruca do título paulista, nos pênaltis.

Mas afinal, o que houve com Luxemburgo? Desaprendeu? Pouco provável. Está desatualizado? Com certeza. Perdeu-se no próprio personagem? Bem provável. Fato é que não funciona mais. Há muito tempo.

A impressão que tenho é que a arrogância não lhe permite perceber que seus métodos de treinamento e de jogo estão ultrapassados e ao vê-los fracassar, se perde na transferência de responsabilidades para os jogadores, trocando-os sem parar e gerando um clima de insatisfação e insegurança no elenco.

Seus discursos motivacionais, nos dias de hoje, convencem muito mais a imprensa do que os atletas. Aquela coisa de aparecer no vestiário com uma faixa na mão e uma fralda na outra (como fez numa das decisões, quando dirigia o Cruzeiro tríplice coroado em 2003) hoje viraria meme ridículo nas redes sociais.

Como a Carolina, da linda música de Chico Buarque, "o tempo passou na janela e só Luxemburgo não viu".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado