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Renato Maurício Prado

Flamengo obtém três vitórias numa só noite

Marcelo Cortes/Flamengo
Imagem: Marcelo Cortes/Flamengo
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

16/07/2020 04h00

Time bom é aquele que vence até quando não joga bem. É o caso desse Flamengo, que conquistou o seu 36º título estadual sem precisar exibir o futebol exuberante e encantador do ano passado e nem mesmo a bola redondinha que vinha mostrando na atual temporada, antes da paralisação por causa da pandemia. As duas vitórias nas finais (2 a 1 e 1 a 0) não deixam margem a dúvidas. Mesmo sem ser brilhante, ganhou o melhor.

O Fluminense conseguiu ser um adversário bem mais difícil do que se esperava, mas lhe restou apenas cair de pé. Se repetir a entrega e a aplicação tática demonstradas na sequência de confrontos com o Flamengo, o tricolor deverá fazer um Campeonato Brasileiro sem sustos. Com o elenco atual, não dá pra sonhar com o título, mas ao menos parece que não correrá riscos de brigar contra o rebaixamento.

No terceiro Fla-Flu consecutivo, uma partida de baixa qualidade técnica, o rubro-negro foi superior nos dois tempos. No primeiro, encurralou o tricolor e embora tenha sofrido dois contra-ataques perigosos, ambos desperdiçados em conclusões ruins de Marcos Paulo, criou as melhores oportunidades para marcar: Bruno Henrique e Pedro, após lindo passe de Arrascaeta, estiveram na cara do gol; Léo Pereira concluiu fraco, depois de boa jogada de linha de fundo de Bruno Henrique pela direita e um outro chute de Pedro passou raspando a trave de Muriel.

Depois do intervalo, o Flamengo diminuiu o ritmo, mas manteve o domínio territorial e mesmo sem ser tão perigoso no ataque, não permitiu que o Fluminense, que precisava da vitória, chegasse a incomodá-lo. O gol do Vitinho, nos acréscimos, apenas coroou a conquista, mais que merecida. Foi o primeiro triunfo da noite.

A segunda (e mais importante) vitória veio nas declarações de Marcos Braz e Rodolfo Landim, praticamente garantido a permanência de Jorge Jesus. O vice de futebol disse, sorrindo, que os rubro-negros podiam dormir tranquilos porque tudo ia dar certo. Braz é a pessoa mais próxima do técnico no clube e não diria isso se não tivesse seguro de que o técnico continuará. Já o presidente contou que o português lhe garantiu que na próxima segunda-feira estará no Ninho do Urubu para treinar a equipe, visando à estreia no Brasileirão. Na Gávea, portanto, já há a certeza de que os portugueses do Benfica ficarão chupando o dedo.

Tal decisão se solidificou após reunião organizada por Diego com os jogadores e o técnico, um dia antes da final. Na ocasião, o grupo prometeu empenho máximo para dar o título carioca ao Mister e lhe fez um apelo emocionado para que mantivesse a promessa de seguir com o grupo para voltar a lutar pelo título mundial. Se Jesus esteve algum dia inclinado a voltar à sua terra natal, depois desse encontro o coração do técnico balançou, voltando a pender pela permanência no Flamengo.

Foi nesta reunião também que nasceu o terceiro triunfo, igualmente confirmado na noite de quarta-feira. Jogadores e comissão técnica, revoltados, se solidarizaram com Jorge Jesus, vítima de uma campanha ignóbil nos últimos dias, e tomaram a decisão de, como grupo, não aceitar mais declarações infelizes nem interferências de dirigentes que não estejam diretamente ligados ao departamento de futebol.

Marcos Braz foi encarregado de levar tal posição a Rodolfo Landim e dele recebeu a promessa de que não haveria mais entrevistas estapafúrdias, como as de Bap (persona non grata entre jogadores e comissão técnica), nem intrigas vergonhosas como a que atingiu o treinador - que todos, no futebol, acham que partiram de dentro do próprio clube. A nota oficial divulgada antes do jogo, ainda que errática, atribuindo a inimigos imaginários parte da crise, deixa claro o apoio ao treinador.

Braz ganha assim mais uma queda de braço contra Bap. Landim pode ter a cabeça feita pelo seu vice de relações externas na maioria das vezes, mas não é bobo e sabe que o sucesso do futebol é o principal alicerce de sua conturbada gestão. Ou Bap se cala e se afasta, ou o risco de motim no elenco é real e iminente. E quem vai querer comprar briga com um grupo que ganhou todos os títulos mais importantes que disputou em um ano sob o comando de Jorge Jesus?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Renato Maurício Prado