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Duelo de four de ases

Bruno Henrique comemora com Gabriel gol diante do Barcelona-EQU pela Libertadores - Thiago Ribeiro/AGIF
Bruno Henrique comemora com Gabriel gol diante do Barcelona-EQU pela Libertadores Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

12/03/2020 04h00

Par ou ímpar de pelada, quem você escolhe? Éverton Ribeiro ou Dudu? Luís Adriano ou Gabigol? Roni ou Bruno Henrique? Arrascaeta ou William Bigode? Assim, no mano a mano, paixões clubísticas à parte, o quarteto rubro-negro parece mais forte. Mas a verdade é que, desde Luxemburgo resolveu escalar o Palmeiras com quatro atacantes, a perspectiva de ver esse duelo extremamente ofensivo com o Flamengo povoa a imaginação das duas torcidas e dos amantes do bom futebol.

Não é segredo para ninguém que a obsessão de Vanderlei este ano é derrotar Jorge Jesus, em todas as competições possíveis, e provar que ainda pode voltar a ser o melhor técnico em atividade no país. Mais que isso, que também é capaz de fazer o seu time ganhar, jogando um futebol ofensivo e encantador, como faz o do português, desde o ano passado.

Não é tarefa fácil, apesar de Luxemburgo, desta vez, estar à frente do segundo elenco mais caro do futebol brasileiro. Isso porque, ao contrário do "four de ases" rubro-negros, que conta com dois atacantes que são também excelentes armadores, casos de Éverton Ribeiro e Arrascaeta, a quadra palmeirense é essencialmente de finalizadores. Todos com ótimo poder de fogo, mas limitada capacidade de construir as jogadas. Vanderlei tem tentado usar Dudu na função, mas ainda há dúvidas se tal fórmula funcionará diante de adversários mais fortes.

Ainda do lado verde do duelo, Bruno Henrique e Ramires (não entendo como o veterano ainda é titular) são os responsáveis pela ligação do meio-campo com o ataque e aí também a dupla rubro-negra formada por Gérson e Arão (ou Tiago Maia) parece mais criativa.

Seja qual for a análise, fato é que são duas formações fortíssimas. E que podem se tornar mais ou menos efetivas de acordo as estratégias utilizadas. Luxemburgo enfrentou Jorge Jesus duas vezes, no ano passado: levou uma goleada de 4 a 1 e arrancou um empate heroico de 4 a 4, dirigindo um Vasco infinitamente inferior em termos técnicos. Agora, ele tem garantido aos amigos mais próximos que já sabe como deve enfrentar o lusitano.

Pela característica do time que está montando, o mais provável é que tente explorar a velocidade de seus atacantes nas costas dos laterais do Flamengo, que jogam avançados e são veteranos. Faz todo o sentido, na teoria. Resta saber como Jesus se preparará para isso. O técnico do Flamengo já disse várias vezes que aqueles que acham que já conhecem a forma de atuar de sua equipe se surpreenderão nesta temporada.

A conferir, pois, como se darão tais duelos que, com todo respeito aos demais competidores, prometem ser os mais esperados do próximo Brasileirão e, talvez, da Copa do Brasil e da Libertadores.

Se esse maldito Coronavirús permitir (a situação é muito séria e está paralisando várias competições mundo afora), será um prazer, pagar pra ver todas as vezes que Flamengo e Palmeiras estiverem frente a frente.

Renato Maurício Prado