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Renato Maurício Prado


Piores que o final de Game of Thrones

Tite fugiu das perguntas mais polêmicas e foi vago ao comentar soco de Neymar - André Mourão/Mowa Press
Tite fugiu das perguntas mais polêmicas e foi vago ao comentar soco de Neymar Imagem: André Mourão/Mowa Press
Renato Mauricio Prado

Renato Mauricio Prado é jornalista e trabalhou no Globo, Placar, Extra, Rádio Globo, CBN, Rede Globo, SporTV e Fox Sports. Assina atualmente uma coluna diária no Jornal do Brasil. A primeira Copa que cobriu in loco foi a da Argentina, em 1978.

20/05/2019 12h54

No final de semana em que o último capítulo de Game of Throne deixou decepcionados os seus milhões de fãs mundo afora, o futebol também teve os seus momentos de frustração. E não foram poucos. Vamos a eles?

Começamos na sexta-feira, com a convocação de Tite para a Copa América. Em termos de irritar a torcida, o professor Adenor nunca falha. Ele é como o anão Tyrion, da série, sempre com um discurso arrumadinho para defender suas posições, mas dessa vez, nem isso conseguiu fazer. Ficou simplesmente sem palavras quando lhe perguntaram sobre Neymar.

A desculpa esfarrapada é de que ainda precisa conversar com o seu camisa dez, "olho no olho". Uma vergonhosa capitulação. Quase um mês após Neymar ter agredido um torcedor, houve tempo de sobra para o treinador da seleção avaliar o assunto com a sua comissão técnica e, se quisesse, já poderia até ter conversado com o jogador, por telefone.

Do jeito que ficou, o que passa é que Tite segue refém de Neymar e seu estafe (leia-se, seu pai). Será que se sentirão incomodados se "o menino Ney" perder a braçadeira? Só depois da apresentação da seleção e de perguntar isso, o técnico decidirá se ele continua ou não ostentando a faixa de capitão. Mais patético, impossível.

Ah, ainda o Adenor. Tentando se garantir no cargo, decidiu levar para a Copa América praticamente 2/3 do elenco que jogou, e perdeu, a Copa na Rússia. Até Fernandinho, fiasco em dois Mundiais seguidos, foi reconvocado, embora já tivesse, ele próprio, desistido da seleção. Fabinho que está jogando muito mais ficou fora. Lamentável.

Tite, o "justo", prefere compensar o veterano cabeça de área pelas ofensas que sofreu, via redes sociais, após a derrota em gramados russos. Ora, senhor Bacchi, quem não é esculhambado a toda hora pelos "haters" da internet? Demagogia barata e que pode custar caro à seleção.

Passando de sexta para sábado, uma decepção do tamanho da de Jon Snow com sua rainha e seu amor Daenerys, foi a da torcida do Flamengo. Após um primeiro tempo em que dominou o Atlético Mineiro, no Horto (só foi para o intervalo empatado por causa de falha grotesca de quase toda a sua defesa), o rubro-negro sofreu um gol logo na volta e foi incapaz de reagir diante de um rival com um jogador a menos.

Arrascaeta, de novo, não jogou bulhufas (dessa vez, suspenso, Diego não pode entrar no seu lugar); os péssimos laterais, como de hábito, não serviram pra nada e as substituições feitas pelo treinador, empilhando atacantes (entraram Lincoln, Vitinho e Berrio) não deram resultado algum, pois Everton Ribeiro, deslocado para o meio, não conseguir articular o meio-campo. Um baita desastre, diante das circunstâncias da partida, por mais que o Atlético Mineiro tenha se mostrado heroico para garantir seu triunfo.

Com apenas sete pontos em cinco rodadas e já na nona colocação, ou o Flamengo reage logo ou verás suas chances no Brasileiro virarem cinzas, como aconteceu com King's Landing. Abel que abra o olho, pois o que não falta é rubro-negro querendo incendiá-lo com um bom "Dracarys"...

Por falar no fogo do dragão, quem saiu chamuscado também no sábado foi o argentino Jorge Sampaoli. Tudo bem que o seu Santos não tem a qualidade técnica do Palmeiras de Luiz Felipe Scolari. Mas a impiedosa goleada de 4 a 0, com certeza, levou muita gente a dizer "está vendo, fica querendo jogar pra frente, diante de um adversário mais forte, dá nisso".

Com toda a polêmica em torno do futebol fantasia (defendido por Sampaoli) contra o futebol de resultados (da velha escola Scolari), com certeza, Felipão foi dormir, depois do jogo, rindo mais que Sansa, ao virar Rainha do Norte, condenando Jon Snow à Patrulha da Noite.

O troco da turma que privilegia o ataque, no mesmo sábado à noite, veio com o Fluminense, de Fernando Diniz, sapecando uma goleada de 4 a 1, no "todo-poderoso" Cruzeiro, do "resultadista" Mano Menezes. Sei não, mas acho que o Trem Azul virou o fio. Mano que aproveite a parada da Copa América para recondicionar sua turma, pois os últimos resultados são bem preocupantes. Está na hora de conversar com o "meister" da cidadela.

Já no domingo, as maiores frustrações ficaram com a turma debaixo da tabela: o Grêmio, que, segundo o técnico Renato Gaúcho, não preocupa, voltou a deixar o tricolor do sul com o cabelo em pé. Vai decolar, vai decolar, repete o seu confiante treinador, mas já são cinco rodadas e o Imortal tem apenas dois pontos, ocupando a penúltima colocação na tabela, superando o lanterna Vasco, apenas no saldo negativo de gols (um tem menos 3, o outro, menos 7). O galã dos técnicos que se cuide. Em Game of Thrones, o bonitão e arrogante espadachim Jaime Lannister também era cheio de si e acabou perdendo uma mão e morrendo soterrado, ao lado da irmã e amante Cersei.

Pra finalizar, a estreia de Luxemburgo no Vasco foi com fiasco: empate com o Avaí (adversário direto na zona de rebaixamento), em São Januário, jogando mal e levando gol no finalzinho. Que personagem seria o Luxa em GoT? Talvez o Mindinho (Littlefinger). Sabe das coisas, é ardiloso e coisa e tal, mas são grandes as chances de acabar na degola da Arya...

Que pena! Game of Thrones chegou ao fim com um desfecho indigno de sua genial história. Mas o Brasileirão ainda vai longe e, com certeza, queimará muita gente pelo caminho. Façam suas apostas.

Renato Maurício Prado