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Rafael Reis

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que o PSG fugiu da Superliga e lucrou com "guerra" no futebol europeu?

Nasser al-Khelaifi preside o PSG e representa os clubes na Uefa - Reprodução/Twitter
Nasser al-Khelaifi preside o PSG e representa os clubes na Uefa Imagem: Reprodução/Twitter
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

22/04/2021 04h20

A tentativa de organizar um campeonato desvinculado do sistema tradicional do futebol mundial, exclusivo para os grandes clubes da Europa e sem critérios esportivos na definição dos participantes, queimou o filme de muita gente no cenário internacional da bola.

Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madri, Juventus, Milan, Inter de Milão, Manchester City, Manchester United, Liverpool, Arsenal, Chelsea e Tottenham, os 12 clubes fundadores da Superliga, apanharam a rodo da opinião pública nos últimos dias e foram acusados de egoísmo até mesmo por torcedores e jogadores que construíram suas histórias.

No meio dessa confusão toda, encerrada na última terça-feira, com uma debandada de times participantes e o anúncio do congelamento dos planos de lançamento da competição, quem se deu bem foi o Paris Saint-Germain.

O clube francês, que goza de uma forte antipatia por ter enriquecido na última década graças à injeção de dinheiro do governo do Qatar, era visto pela Superliga como um fator essencial para que o projeto desse certo devido aos craques que possui (Neymar e Kylian Mbappé) e por fazer muito sucesso com o público mais jovem.

Mas, assim como Bayern de Munique e Borussia Dortmund, outras peças vistas como necessárias pelo grupo defensor da ruptura, preferiu não se aliar ao grupo elitista e permanecer conectado ao sistema Uefa/Fifa.

No meio do caos provocado pelo anúncio da Superliga, o presidente do PSG, Nasser Al-Khelaifi, foi eleito na terça presidente da ECA (Associação dos Clubes Europeus) e representante do órgão no comitê executivo da Uefa. No discurso de posse, aproveitou para atacar a Superliga.

"O Paris Saint-Germain acredita firmemente que o futebol é um jogo para todos. Tenho sido consistente nisso desde o início. Como clube de futebol, somos uma família e uma comunidade; cujo tecido são os nossos torcedores, creio que não devemos esquecer isto", afirmou.

Com a dissolução da Superliga, o PSG conseguiu tudo que queria. Mesmo sem ser signatário do projeto, também poderá colher as vantagens financeiras que a ameaça de cisão irá render aos clubes (que certamente serão mais valorizados nas próximas divisões de lucro feitas pela Uefa).

Mas fez isso sem prejudicar sua imagem perante a opinião pública e, principalmente, sem ameaçar as conexões comerciais que o prendiam às instituições já consolidadas que organizam o futebol europeu e mundial.

Para os donos do PSG, não era nada interessante que a Superliga tirasse espaço da tradicional Liga dos Campeões. Afinal, os direitos de transmissão do tradicional torneio continental pertencem à BeIN Sports, que é de propriedade do governo do Qatar e tem justamente Al-Khelaifi como presidente.

Além disso, tudo que o governo qatariano não queria era que a Copa do Mundo do próximo ano, que será disputada no país árabe, corresse o risco de ser desvalorizada pela ausência dos astros da Superliga (exclui-los das seleções era uma das opções de punição da Fifa).

País sede da competição, o Qatar, através da empresa de aviação Qatar Airways, também possui uma das seis principais cotas de patrocínio do Mundial. Por isso, a perda de importância do torneio certamente lhe traria um grande prejuízo financeiro.

Com o fim das discussões sobre a Superliga, o PSG terá pela frente nos próximos dias os compromissos mais importantes da temporada. Na quarta-feira, encara o Manchester City, em casa, no primeiro jogo da semifinal da Champions, título jamais conquistado e que é a obsessão número um do clube.

Antes, no entanto, o time de Neymar e Mbappé precisa concentrar suas atenções na equilibradíssima briga pelo título francês desta temporada. O adversário de sábado é o Metz, pela 34ª rodada da competição.

Sete vezes campeão nacional nos últimos oito anos, o PSG desta vez não lidera a Ligue 1. A equipe da capital tem 69 pontos, um a menos que o Lille, primeiro colocado. Monaco (68) e Lyon (67) também estão vivos na disputa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL