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Sem título há 4 anos, Corinthians terá presidente sem lastro no futebol

Um dia após episódio de tiros disparados da rua por um desconhecido contra um prédio do Parque São Jorge, o Corinthians elege neste sábado (25) seu novo presidente. Ao contrário do que aconteceu em pleitos anteriores, o futuro ocupante do posto mais importante no Alvinegro não chega impulsionado por uma participação na diretoria de futebol masculino profissional.

O situacionista André Luiz Oliveira, o André Negão, e o opositor Augusto Melo nunca comandaram o carro-chefe do clube. Na modalidade mais importante da agremiação, ambos atuaram apenas na base, mas não no comando. Augusto ainda atuou na gestão da base do União Barbarense.

Longe do futebol profissional, eles construíram capital político no clube social. No chão do Parque São Jorge, como definem conselheiros mais envolvidos com a política corintiana.

André representa o Renovação e Transparência (RT). Ele está entre os fundadores da ala política, assim como os ex-presidentes Andrés Sanchez e Mário Gobbi.

O grupo saboreia o poder desde 2007, quando Andrés, que chegou a atuar na diretoria de futebol profissional liderada por Antônio Roque Citadini, substituiu Alberto Dualib na presidência.

Andrés inaugurou no RT a prática de lançar para presidente o diretor de futebol da última gestão. Nessa toada, Mário Gobbi, Roberto de Andrade e Duilio Monteiro Alves sentaram na cadeira presidencial.

Duilio não seguirá o ritual de passar a faixa para um ex-diretor de futebol. Seu escolhido para comandar o departamento de maior visibilidade no clube, Andrade, sofreu resistência da Gaviões da Fiel desde o início de seu trabalho e acabou se demitindo.

Resistência

Cercado de desconfiança por uma ala dos situacionistas que não via longa autonomia de voo em sua candidatura, André bateu o pé e se manteve como nome da situação na disputa.

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Andrés o bancou no páreo. E Gobbi, que tinha virado opositor, se reaproximou dos ex-companheiros e o apoiou. Duilio demorou para entrar na campanha, mas entrou fazendo barulho.

Em sabatina com um grupo de jornalistas, o presidente atacou o candidato de oposição e até mostrou áudio com fala de Augusto que Duilio classificou como machista.

O suporte de ex-presidentes tem traços de gratidão. Os figurões do Renovação e Transparência afirmam que André foi fundamental para a ala emplacar presidentes em série.

"O André coordenou todas as campanhas: minha, do Roberto, do Duilio. Ele tem o chão do clube, vive o clube desde cedo. Conhece todo mundo, foi diretor administrativo e atendia às necessidades do associado", diz Gobbi.

Crescimento

Antes de o RT ser fundado, já era possível ver André distribuindo sorrisos e chamando sócios pelo nome no Parque São Jorge. Por sua vez, Augusto virou figura conhecida nas alamedas alvinegras nos últimos anos.

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No final de 2020, ele ficou em segundo lugar no pleito vencido por Duilio, deixando Gobbi em terceiro. Desde então, Augusto, antes mais conhecido no Corinthians como Tio, não parou de fazer campanha, segundo conselheiros de diferentes correntes.

"Não é que ele não parou de fazer campanha. O Augusto deu continuidade ao trabalho de conhecer todos os departamentos e saber as necessidades de cada um. Ele fez um trabalho diário no Parque São Jorge para saber o que o associado precisa", disse o conselheiro vitalício Rubens Gomes, que atua na campanha de Augusto.

"Hoje, as pessoas param o Augusto no clube para tirar foto com ele. Isso foi conquistado aos poucos, com ele procurando saber as necessidades do clube para tentar resolvê-las", completou Gomes.

O aliado do candidato oposicionista entende que o desgaste do Renovação e Transparência entre os sócios também ajudou Tio a aumentar sua musculatura política. Além do desejo de mudança, conselheiros apontam como fundamental para o oposicionista chegar forte ao pleito o fato de a oposição ter se juntado em torno de sua candidatura e de nenhum dissidente dos dois lados lançar uma terceira via.

Na análise de membros do Conselho Deliberativo, a temporada fraca do time masculino de futebol também prejudicou o candidato situacionista, consequentemente, ajudando Augusto. Ao contrário de seus colegas no RT que foram presidentes, Duilio sairá da sala presidencial pela última vez neste mandato sem conquistar um título. A última taça levantada pelo Alvinegro foi a do Paulistão de 2019, com Andrés na presidência. Além disso, o time ainda tenta se distanciar da zona de rebaixamento do Brasileirão e na véspera da eleição foi goleado por 5 a 1 pelo Bahia, em Itaquera.

Nesse ponto, não ter passado pelo departamento de futebol profissional masculino corintiano não é uma desvantagem para André.

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Tanto ele como Augusto deixaram para os sócios mensagens de esperança em relação a times mais fortes nos próximos anos. Por sua vez, os associados que participarão da eleição, disputada sem voto obrigatório, darão uma demonstração de resistência. Terão sobrevivido a uma campanha em que os ataques pessoais ofuscaram as propostas.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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