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REPORTAGEM

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Perrone: É preocupante para torcedor do SPFC Ceni não apontar erros do time

Rogério Ceni, gostou do desempenho do São Paulo contra o Athletico - Miguel SCHINCARIOL/São Paulo FC
Rogério Ceni, gostou do desempenho do São Paulo contra o Athletico Imagem: Miguel SCHINCARIOL/São Paulo FC
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Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

25/11/2021 08h26

Não bastasse o empate sem gols no Morumbi contra o Athletico-PR, nesta quarta (24), o torcedor do São Paulo ganhou mais um motivo para se preocupar durante a entrevista coletiva do técnico Rogério Ceni após a partida.

Não falo do fato de o treinador ter dito que o clube tem anos difíceis pela frente. Isso o são-paulino antenado já sabia. A crise financeira enfrentada pelo clube não é segredo.

É desesperador para a torcida o técnico dizer que o desempenho do time, vaiado ao final do jogo, agradou, que faltou sorte nas finalizações e que os jogadores deram o seu melhor.

"A atuação do meu time me agradou os 90 minutos. O time dominou o jogo todo, teve todas as oportunidades criadas, teve todo o controle do jogo, não teve nenhum chute dentro do nosso gol. Você joga contra o Athletico, um time que acabou de ser campeão da Copa Sul-Americana e eles não chutam nenhuma boal no nosso gol, não dá para você ficar descontente", afirmou Ceni.

Se Rogério não enxergou como a equipe jogou mal e se os atletas fizeram o máximo que podiam, o torcedor tricolor pode se preparar para sofrer mais do que esperava na luta contra o rebaixamento nas últimas rodadas do Brasileirão.

De acordo com o Sofascore, o São Paulo fez 17 finalizações e só acertou duas, ambas com Rigoni.

Ceni disse que espera que a equipe tenha mais sorte nas finalizações no próximo jogo, contra o Sport. Na opinião deste colunista, o problema não foi azar. O São Paulo teve dificuldades para entrar na área adversária. Muitas vezes, isso provocou conclusões precipitadas, sem as melhores condições, diminuindo as chances de acerto. Também houve falta de capricho por parte dos jogadores em arremates mais fáceis.

O São Paulo desperdiçou 23 cruzamentos. Só acertou 7 de 30. Assim como aconteceu nas finalizações, falhas estruturais da equipe ajudaram a provocar esse desperdício.

Diante de um adversário fechado, o Tricolor foi lento e se movimentou pouco. Não conseguiu triangular e tabelar para entrar na área do Furacão. Finalizações de longe e cruzamentos na marra foram as soluções encontradas pelos atletas.

Ceni ignorou esses problemas e bateu na tecla de que sua equipe dominou o adversário. De fato, o São Paulo ficou mais com a bola, porém, quem alcançou seu principal objetivo foi o Athletico-PR, que não levou gols.

O time do Morumbi teve 67,58% de posse de bola, mas não contou com qualidade para trabalhá-la. No entanto, Rogério não enxergou isso e gostou do desempenho. A menos que ele não tenha sido sincero em suas declarações, estamos diante de uma cegueira que deve dificultar a busca por soluções.