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Blog do Perrone

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Manifesto revela que silêncio de jogadores da seleção fez barulho por nada

Casemiro durante jogo da seleção brasileira contra o Equador - Lucas Figueiredo/CBF
Casemiro durante jogo da seleção brasileira contra o Equador Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

09/06/2021 04h00

O silêncio dos comandados de Tite nos últimos dias fez muito barulho por nada. Afirmar que são contra a Copa América, mas que nunca dirão não à camisa da seleção brasileira é algo que poderia ter sido feito antes. Não há nada no manifesto divulgado nesta terça (8) que fosse provocar um tsunami capaz de desviar o foco deles dos jogos contra Equador e Paraguai.

Quando Tite e, depois, Casemiro disseram que existia uma posição clara sobre a Copa América no Brasil e que ela seria externada nesta terça, alimentaram expectativas.

Se houve erro por parte de jornalistas que relataram que os jogadores pensavam em não disputar a Copa América, os atletas falharam ao não desmentirem a informação no ato.

O silêncio fez com que se ouvisse o barulho de um possível boicote. O pouco que foi dito por Casemiro depois da vitória sobre o Equador pelas Eliminatórias da Copa de 2022 não foi esclarecedor. E ainda desenhou um cenário que, em parte, não se concretizou quando os atletas divulgaram o seu manifesto após o triunfo sobre o Paraguai.

Casemiro havia falado em opinião unânime. "Quando fala alguém, falam todos os jogadores, com o Tite, com a comissão técnica. Tem quer ser unânime, todos juntos", disse o volante.

O manifesto dos atletas é claro ao apontar existirem motivações diferentes para o posicionamento contrário à Copa América.

"Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada tardiamente no Chile ou mesmo no Brasil", diz trecho da carta divulgada pelos jogadores.

Essa parte enterra aquela ideia de que a seleção se uniu para dizer que é um absurdo realizar a competição num país que encara de maneira tão trágica a pandemia de Covid-19.

Como podemos ler, alguns integrantes do grupo têm motivações humanitárias. Outros, no entanto, justificam suas posições por questões trabalhistas.

Houve quem esperasse que os atletas da seleção dessem um golpe duro no negacionismo se recusando a disputar a Copa América.

Mas as palavras juntadas por eles indicam receio de entrarem para história por se negarem a vestir a amarelinha.

"Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à seleção brasileira", escreveram os atletas.

Dessa forma, os convocados de Tite dispensaram os papéis de revolucionários do futebol. Preferiram tentar se igualar a milhões de trabalhadores brasileiros que, mesmo insatisfeitos com as condições oferecidas por seus patrões, seguem no emprego por falta de opção.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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