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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Luiz Adriano sabota imagem criada pelo Palmeiras de inimigo do negacionismo

Luiz Adriano exibe medalhas que ganhou pelo Palmeiras em 2020 - Reprodução/Instagram
Luiz Adriano exibe medalhas que ganhou pelo Palmeiras em 2020 Imagem: Reprodução/Instagram
Perrone

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

07/04/2021 14h00

Ao levar sua mãe, de carro, ao mercado num shopping e se envolver em acidente, depois de testar positivo para covid-19, Luiz Adriano sabotou a imagem que o Palmeiras construiu desde o início da pandemia.

Com uma série de atitudes, o alviverde se posicionou como uma instituição que respeita a ciência e vira as costas para o negacionismo.

Mas, por que Luiz Adriano colocou em risco essa imagem lapidada por seu clube? Porque sua irresponsabilidade dá margem para que se coloque em dúvida a forma como o Palmeiras orienta seus atletas.

Podemos pensar o seguinte: "os médicos palmeirenses não explicaram para seus jogadores que eles devem ficar isolados em casa depois de testarem positivo? Não falaram que, nesses casos, eles devem manter distância até dos familiares? Não deixaram clara a gravidade da transmissão do vírus para pessoas mais velhas, como suas mães e pais? Não orientaram os atletas a usarem aplicativos para fazer compras essenciais sem sair de casa?".

Porém, o histórico do Palmeiras até aqui na pandemia nos leva a crer que os médicos do clube instruíram bem seus atletas e que o atacante não absorveu ensinamentos básicos.

Quando a crise sanitária começou, diretoria palmeirense seguiu fielmente as recomendações de seus médicos.

Também logo no início, o clube demonstrou assimilar algo que os negacionistas não costumam entender: não é preciso escolher entre morrer de fome ou de complicações da covid-19. Isso porque, além de adotar todas as medidas de prevenção, o Palmeiras ajudou financeiramente as famílias de seus jogadores das categorias de base mais necessitados, apesar da queda em suas receitas.

Maurício Galiotte, presidente do clube, mostrou sua posição contra o negacionismo quando sugeriu em reunião que o presidente da CBF, Rogério Caboclo, colocasse mais em discussão a continuidade ou não das competições durante a fase mais crítica da pandemia no país.

O cartola também se recusou a jogar às pressas em Volta Redonda alegando, principalmente, não haver tempo hábil para colocar em prática medidas de prevenção à transmissão do vírus. Ele aceitou o jogo no dia seguinte. O clube sustentou ter conseguido tempo para proteger seus funcionários.

Em março, diante da piora da crise sanitária, os jogadores palmeirenses, participaram de nova palestra sobre medidas de prevenção.

Depois de tudo isso, Luiz Adriano liga o carro e atropela o esforço de funcionários e dirigentes do alviverde.

Nada mais justo do que ele ser multado, com o dinheiro sendo usado para a doação de cotas básicas, como decidiu a direção. Uma nova rodada de orientações a jogadores e funcionários precisa ser feita para tentar evitar novos ataques negacionistas à saúde da sociedade em geral e à imagem do Palmeiras.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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