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São Paulo, campeão de alma, técnica e suor, valida argumentos rubro-negros

REUTERS/Issei Kato
Imagem: REUTERS/Issei Kato
Menon

Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

24/05/2020 15h19

Revi São Paulo 1 x 0 Liverpool. O jogo que deu o terceiro título mundial ao tricolor. É a primeira vez que vejo o jogo, desde aquele 18 de dezembro de 2005, na gelada Yokohama.

Após aquele jogo, nas entrevistas, o treinador Rafa Benítez me disse que se sentia feliz por haver colocado um time brasileiro, país de tantos jogadores espetaculares, na defesa. Feliz, nada. Ele estava furioso. Em outras entrevistas, disse que um dos três gols anulados foi válido. E reclamou da presença de um árbitro mexicano e um bandeira canadense em um jogo tão importante.

Benítez estava certo em um ponto. O Liverpool realmente mandou no jogo. Teve mais posse de bola, teve mais chances de gol e poderia ter vencido. Sem dúvida.

Podemos aqui lembrar os argumentos da torcida do Flamengo. Seu time teria jogado mais contra o Liverpool de Klopp do que o São Paulo contra o Liverpool de Benítez.

Jogou mesmo. Encarou de igual para igual.

E perdeu.

Injustiça?

Há muitos anos eu tirei este quesito do meu método de avaliação.

Não existe justiça no futebol.

O que existe é a escolha da estratégia perfeita para uma decisão, a partir de seus méritos e qualidades e a partir dos méritos e qualidades do adversário.

O São Paulo decidiu que só poderia vencer se fosse forte na defesa. No jogo aéreo, principalmente.

Paulo Autuori treinou muito, durante um semestre, a sincronia entre Edcarlos, Fabão e Lugano. Foi fundamental, principalmente no segundo tempo, quando o Liverpool abusou de cruzamentos pelo alto. Estratégia potencializada no final, com a entrada do gigante Crouch.

E há também a parte técnica. Sim. O gol foi de Mineiro, um volante de chegada na área. Algo que os treinadores consideram fundamental hoje, passados 15 anos. É a pisada na área.

E Rogério Ceni nitidamente venceu o duelo com Gerrard. A defesa no início do segundo tempo é antológica, do nível de Gordon Banks contra Pelé em 70 e de Leão contra Cruyff em 74. As três maiores que já vi.

O São Paulo foi tática. Foi técnica. E nada adiantaria se não tivesse alma. E como teve!

Conduzido pelo uruguaio Lugano, foi um time estóico. Heróico. Defendeu sua aldeia como Asterix enfrentava os romanos. Sem poção mágica, com força mental.

O Liverpool era o grande favorito. Estava há mais de mil minutos sem sofrer um gol. Nas ruas de Tóquio, era possível perceber arrogância por debaixo da simpatia inglesa. Uma certa condescendência. Vocês são simpáticos, mas nós seremos campeões.

Não foram.

É história.

O São Paulo comemora há 15 anos o seu título. O Liverpool foi lembrado agora pelos adeptos da Seita da Posse de Bola, embalados pela canção de ninar que fala em justiça no futebol.

Menon