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Querem fazer de Jesus um "Judas". Torcedor do Fla deve demonstrar gratidão

Jorge Jesus é festejado pelos jogadores -
Jorge Jesus é festejado pelos jogadores
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

15/07/2020 04h00

O torcedor do Flamengo tem que ser muito inteligente, esperto nesse momento para não acabar manipulado pelos interessados em fazer de Jorge Jesus um vilão. Sua provável saída gera reações diversas, mas não se joga no lixo o que o português fez em meses de clube.

Como o blog informou na sexta-feira passada, o técnico há algum tempo está realmente inclinado a aceitar a proposta do Benfica por intermédio de Luiz Filipe Vieira, presidente do clube e seu amigo pessoal. Embora não falasse sobre isso no CT, ele dava sinais a pessoas próximas.

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Sim, trata-se de um personagem muitas vezes polêmico, controverso até, mas sua competência deu aos rubro-negros alegrias como não tinham há décadas. Claro, poderia conduzir de outra maneira a atual situação, com o interesse benfiquista em sua volta, mas isso não anula os feitos do Mister.

Fique atento às tentativas de caracterizar Jesus como um "Judas", alguém que está voltando atrás das próprias palavras, quando recuperam declarações nas quais afirmava ter o Flamengo como prioridade. Não passa de uma tentativa de manipulação da massa.

Ora, é humano que tenha dúvidas e admita retornar, independentemente dos motivos. Com quase 75 mil mortes pela COVID-19, o Brasil não é exatamente o melhor lugar para um estrangeiro viver tranquilo. E a posição do Rio de Janeiro no indesejável ranking do novo coronavírus não é nada boa.

Pensando exclusivamente no combo vida pessoal/trabalho, com uma proposta financeira superior ao que recebe hoje, e capaz de levá-lo para casa, ao seu país de origem, alguém acha estranho que balance? Fato: em pouco tempo de Flamengo, Jorge Jesus deu à torcida o que ela sempre sonhou. E mais até. Vão detestá-lo agora?

Clube não pode ser refém de um jogador ou técnico. Por mais difícil que seja uma reposição, ninguém é insubstituível. Altivez e amor-próprio são úteis nessas horas, da mesma forma que vaidade e política podem por tudo a perder, como o blog alertou em 2 de janeiro.

Por isso mesmo, se for embora, independentemente de discordâncias com relação a uma postura ou outra, cabe ao rubro-negro dizer a ele "obrigado". E seguir em frente, atento aos movimentos dos cartolas, antes que cometam novo erro na escolha do eventual substituto, como falharam na do antecessor.

Quem é Flamengo deve, sim, demonstrar ao Mister sua gratidão, um dos mais nobres sentimentos humanos. Deixem a arrogância, a covardia e a incapacidade em admitir os próprios equívocos para outros por aí.

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Mauro Cezar Pereira