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Espanhóis repeliram jogador ucraniano que usa símbolo visto em manifestação

Cartaz da torcida do Rayo Vallecano contra a presença de Roman Zozulya no clube - Reprodução
Cartaz da torcida do Rayo Vallecano contra a presença de Roman Zozulya no clube Imagem: Reprodução
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

02/06/2020 15h31

A bizarra presença de uma bandeira rubro-negra com tridente branco no meio gera controvérsia em meio às manifestações pelo país. Os que a portavam em São Paulo alegam não ser ela um instrumento de representação fascista. Mas no futebol, a utilização do mesmo símbolo na Espanha gerou polêmica. E, como os torcedores que foram à Avenida Paulista domingo, hinchas de um clube de Madri repeliram o jogador simpatizante dessa tendência.

Em 2017 o Rayo Vallecano contratou ao Real Betis Roman Vyacheslavovych Zozulya, atualmente no Albacete. Mas o atacante não pôde atuar no time da capital, ante a revolta dos torcedores rayistas. Eles não toleraram a presença do ucraniano no elenco, devido às suas manifestações de simpatia a movimentos de extrema-direita. O clube do bairro de Vallecas é historicamente de esquerda e tem nos Bukaneros uma torcida muito atuante.

Bukaneros erguem faixa contra a presença de Roman Zozulya no Rayo Vallecano: "Nazi" - Reprodução: Twitter - Reprodução: Twitter
Bukaneros erguem faixa contra a presença de Roman Zozulya no Rayo Vallecano: "Nazi"
Imagem: Reprodução: Twitter

Antes, Zozulya foi ídolo de grupos radicais do Dnipro Dnipropetrovsk, time que defendeu entre 2011 e 2016. Na Espanha, ficou marcado ao surgir trajando camiseta com o símbolo (tridente) que também identifica o Pravyi Sektor, justamente o grupo radical de extrema-direita da bandeira que tem aparecido em manifestações de apoio a Jair Bolsonaro em alguns pontos do Brasil.

O Pravyi Sektor (que significa Setor Direito) é uma organização paramilitar da Ucrânia, posteriormente transformada em partido radical. Criado em 2013, adotou o tridente que vem da Idade Média e na Segunda Guerra Mundial se transformou em símbolo do Exército Insurgente da Ucrânia, formado em 1941 como movimento militar nacionalista.

Bandeira rubro-negra do Pravyi Sektor em manifestação na Avenida Paulista - Reprodução: Instragam - Reprodução: Instragam
Bandeira rubro-negra do Pravyi Sektor em manifestação na Avenida Paulista
Imagem: Reprodução: Instragam

Era um braço da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, de Stepan Bandera, aliado a Hitler. Naqueles tempos, a bandeira vermelha e preta com seu tridente branco era utilizada para identificar o grupo, que seguia o líder, colaborador do Reich, de acordo com documentos revelados pela CIA, a Agência de Inteligência dos Estados Unidos.Aqui a imagem do Roman Zozulya, jogador do Albacete que foi chamado de nazista pela torcida do Rayo Vallencano, fazendo homenagem ao Stepan Bandera, nacionalista ucraniano que colaborou com os nazistas na Segunda Guerra

Já pelo Albacete, para onde foi após ser rejeitado no Rayo, Zozulya teve divulgada foto na qual homenageia Bandera, como destacado em 2019 pelo jornalista Filipe Barini em sua conta no Twitter (acima). O jogador já havia expressado admiração pelo líder de extrema-direita antissemita antes, e as discussões sobre ele vêm de 2014 quando apoiou forças paramilitares.

Roman Zozulya com a foto de Stepan Bandera - Reprodução - Reprodução
Roman Zozulya com a foto de Stepan Bandera
Imagem: Reprodução

Desde sua chegada ao Bétis, o atleta se vê envolvido em polêmicas. De cara o questionaram pelo apoio dado a paramilitares ucranianos na guerra contra tropas pró-Rússia na região de Donbass. Na época ele ainda vestia a camisa do Dnipro, cujos torcedores radicais, os ultras, se uniram aos rivais do Metalist Kharkiv a favor do movimento. Zozulya ganhou mais notoriedade e prestígio com tais grupos naquela ocasião.

"Em Vallecas não há espaço para o fascismo", avisaram os Bukaneros quando de sua chegada ao clube da capital espanhola, em 2017. Já em dezembro do ano passado, ele voltou ao estádio do Rayo Vallecano para defender o Albacete, pela segunda divisão. Mas o jogo foi suspenso no segundo tempo, com o ucraniano sendo chamado de "nazista" pelos torcedores. A tolerância a certos símbolos que há no Brasil não cabe naquele bairro de Madri.

Mauro Cezar Pereira