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Briga clubes x TV torna mais irresponsável um Brasileirão com mata-mata

Esporte Interativo e seus clubes - Reprodução/Facebook
Esporte Interativo e seus clubes Imagem: Reprodução/Facebook
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

09/04/2020 19h34

A carta enviada pela Turner aos oito clubes Série A com os quais tem contrato (Athletico, Bahia, Ceará, Coritiba, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos) é o tempero indesejado em meio à crise provocada pela pandemia de coronavírus. Pagamentos dos direitos de transmissão estão suspensos e há risco de rescisão sob alegação de descumprimento de cláusulas contratuais. O fato é que o acordo parece mesmo prestes a ser rompido.

A brincadeira é cara e o retorno financeiro dificilmente vem instantaneamente quando há um grupo de comunicação há décadas mostrando os jogos, caso específico das competições brasileiras na Globo. Em meio a tudo isso, a Turner foi adquirida pela AT&T nos Estados Unidos e os canais Esporte Interativo extintos, tanto que as partidas da Série A foram mostradas pela TNT em 2019. As partes deverão buscar acordo, mas o risco de parar na justiça é real.

Em meio a tudo isso, é incrível que a CBF ainda não tenha assegurado o campeonato brasileiro em 38 rodadas. Esses clubes, caso rescindam com a Turner, terão que negociar, a priori com a Globo, e o farão obviamente em condições mais do que desfavoráveis, ainda mais se a Série A lhes proporcionar metade dos jogos, única certeza que terão se for adotado o sistema de disputa anterior à adoção dos pontos corridos, ocorrida em 2003.

A irresponsabilidade na gestão bate recordes no futebol brasileiro, até em meio à pandemia.

Mauro Cezar Pereira