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Turner vê contrato do Brasileirão descumprido, e desgaste com clubes cresce

Felipe Jonatan e Willian disputam bola durante clássico entre Palmeiras e Santos; os dois clubes têm contrato com a TNT - Bruno Ulivieri/AGIF
Felipe Jonatan e Willian disputam bola durante clássico entre Palmeiras e Santos; os dois clubes têm contrato com a TNT Imagem: Bruno Ulivieri/AGIF

Gabriel Vaquer

Colaboração para o UOL, em Aracaju

08/04/2020 04h00

Classificação e Jogos

A Turner e os oito clubes com quem a emissora tem acordo para exibir jogos do Campeonato Brasileiro (Athletico Paranaense, Bahia, Ceará, Coritiba, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos) voltaram a se estranhar nos bastidores. Na sexta-feira (3), a empresa engrossou o tom após sete parceiros não responderem a uma solicitação de renegociação de termos supostamente descumpridos pelas equipes. Enquanto isso, os times acreditam que trata-se de uma iniciativa da entidade para tentar rescindir o contrato com eles.

O UOL Esporte apurou que a Turner não quer deixar de exibir o Brasileirão, até por entender que ele é um de seus produtos mais importantes. Mas a empresa acusa os clubes de descumprir várias cláusulas contratuais. A principal queixa está na limitação imposta para que só sejam transmitidas seis partidas por cidade, que não estava prevista no acordo inicial.

A Turner alega que aceitou esse teto de transmissões para não prejudicar os clubes, já que a Globo ameaçava reduzir os repasses a quem tivesse contrato com ela na TV aberta e com a concorrente na TV fechada. Mas a empresa se vê prejudicada, já que o resultado disso foi ver muitos de seus jogos serem exibidos também em outro canal.

Entre outras reclamações da Turner, está o vazamento da programação para a TV aberta, fazendo com que vários jogos que deveriam ser exibidos apenas na TNT passem também na Globo. Também incomoda a não autorização de entrevistas exclusivas que estariam previstas em contrato.

Por fim, a Turner se incomoda por críticas ao contrato feita publicamente por dirigentes, principalmente as feitas pelos presidentes de Santos e Fortaleza. A programadora afirma que isso fere o termo de confidencialidade do acordo firmado.

A primeira notificação sobre o assunto enviada pela Turner aos oito clubes chegou em novembro de 2019. Naquela ocasião, apenas o Athletico respondeu. Com isso, a emissora reclamou com os clubes em uma segunda notificação, dizendo que, se eles não queriam abordar o assunto, davam a entender que não tinham mais a programadora como parceira.

Em 24 horas, todos responderam à questão. O UOL Esporte ouviu cinco clubes que têm contrato com a Turner para o Brasileirão. Um deles afirmou que não soube da primeira notificação e que entende que a Turner está com dificuldades para manter os contratos.

Quem se pronunciou teve praticamente o mesmo entendimento que a Turner está com dificuldade de manter os contratos por causa do relacionamento com os clubes e busca um jeito de conseguir a rescisão contratual. Para um desses clubes, as cláusulas que a Turner julga feridas seriam facilmente derrubadas em caso de batalha judicial.

Essa ideia é refutada pelo jurídico da Turner. A programadora entende que fez tudo o que lhe compete e cumpriu todas os termos do contrato. A emissora irá manter os pagamentos aos clubes pelo Brasileirão 2020 mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus. Há sérios riscos de a competição ter seu formato alterado, o que poderia reduzir o pacote de jogos da multinacional.

Procurada oficialmente pelo UOL Esporte, a Turner refutou a ideia de rescisão contratual. A programadora afirma que só quer ter um modelo de negócio mais sustentável e bom para ambas as partes. Por fim, a empresa diz estar aberta ao diálogo com os clubes.

"A Turner enviou na sexta-feira, 3 de abril, uma notificação aos clubes com os quais mantem contrato para exibição da Série A do Campeonato Brasileiro 2020. Essa carta reitera o que já foi colocado aos clubes em novembro de 2019, sobre o que não tivemos quase nenhuma resposta, e pede que venham conversar com a Turner para solucionar questões pendentes. Há certas obrigações que a Turner deseja reforçar, incluindo compromissos assumidos pelos clubes que são essenciais para que a Turner crie um modelo de negócios sustentável", diz a nota oficial.

"A Turner propõe uma nova conversa, ao mesmo tempo em que não descuidará das ações necessárias à defesa de seus direitos. A Turner sempre privilegiou o diálogo e acredita numa solução conjunta", conclui o comunicado.

Atualmente, a Turner injeta algo na casa dos R$ 120 milhões em sete clubes com quem tem acordo para o Brasileirão. A exceção é o Fortaleza, que tem um contrato à parte e recebe R$ 12 milhões a menos que outros times, o que explica as reclamações públicas. O dinheiro é dividido da mesma forma que a Globo: 40% fixos divididos por iguais. Outros 30% são pagos por transmissões realizadas e metas de audiência batidas. O restante é pago pelo desempenho final na tabela.