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Mauro Cezar Pereira


Diante de imprensa com "um atacante", Tite tenta encantar as "serpentes"

Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

06/03/2020 14h05

Na entrevista concedida em 2016 ao programa Bola da Vez, da ESPN, Diego Lugano definiu Tite como o "encantador de serpentes". Na ocasião, o ex-zagueiro e atual dirigente do São Paulo justificou suas palavras alegando que o treinador da seleção brasileira "tem todos da imprensa adormecidos".

Na coletiva pós-convocação desta sexta-feira, o treinador sequer precisou de sua flauta imaginária. Ele estava ao lado de Juninho Paulista, seu atual chefe, como coordenador do time cebeefiano, que manteve vínculo com o Ituano quando já ocupava cargos na diretoria da Confederação Brasileira de Futebol.

A reportagem da Agência Sportlight que revelou tal conflito foi publicada 18 dias antes da entrevista que marcou a primeira aparição do dirigente desde então. Contudo, apenas o repórter Rodrigo Mattos, blogueiro do UOL, questionou Juninho a respeito. Ígor Siqueira, de O Globo fez pergunta a Tite sobre o tema.

Durante os 49 minutos e 11 segundos de entrevista o dirigente não mais foi questionado sobre o assunto, embora não tenha respondido ao questionamento de Rodrigo Mattos. ""Qual a garantia de que interesses privados não interferiram na gestão da seleção brasileira (...) Você não entende que essa é uma relação conflituosa, visto que a Fifa proíbe esse tipo de acúmulo de funções?", perguntou o jornalista.

"Estou muito seguro da minha competência e das minhas credenciais para exercer esse cargo em que estou. O que aconteceu foi uma orientação jurídica, essa pendência foi resolvida e perante a gestão da CBF está tudo ok", disse Juninho, sem responder ao questionamento específico que envolve, inclusive, a Fifa e suas determinações.

Tite também não respondeu à pergunta de Ígor Siqueira sobre o episódio envolvendo seu chefe. O treinador exaltou a relação de confiança entre ele o coordenador da seleção, a CBF, mas ignorou a existência do Código de Ética da entidade em sua resposta, assim como fato de o mesmo não ter sido seguido.

Muito à vontade ante questionamentos envolvendo do tatiquês à convocação de três jogadores do Flamengo, Tite aparentemente tentou encantar falando em alto "grau de competitividade" das fáceis eliminatórias sul-americanas, que reúnem algumas seleções fracas e leva metade dos participantes ao Mundial. Que derrota!

Mauro Cezar Pereira