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Dorival deixa amistosos com 'ótima impressão' e desafio para a Copa América

Depois do empate com a Espanha, Dorival Jr me mandou um áudio fazendo um balanço desse tempo em que a seleção ficou junta. Por meio do diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, consegui que o Dorival me mandasse a sua análise.

Foi uma semana muito proveitosa. Não tinha nenhuma decepção com ninguém, pelo contrário: deixaram uma ótima impressão. Vai ser ainda mais difícil para fazer uma futura convocação

Os próximos compromissos do Brasil são os amistosos contra México e Estados Unidos, em junho, já com o elenco convocado para a Copa América.

Quando eu tiver tempo para treinar, não tenho dúvidas que a gente vai encontrar o caminho e o rendimento coletivo da equipe será muito melhor

Material de estudo para os dois amistosos

Na conversa, o Dorival me explicou como foi a preparação para os jogos contra a Espanha e a Inglaterra.

"Nós viemos há uns 20 ou 30 dias para a Europa, distribuímos duas comissões, fomos ver jogos, treinamentos e conversamos com todos os jogadores. Depois disso, elaboramos para cada posição um material para que eles tentassem entender os comportamentos que queríamos."

"Quando recebemos os jogadores aqui, eles já tinham uma ideia do que queríamos, aí começamos o trabalho de campo mais ou menos em cima dos comportamentos para que agregássemos alguma coisa em termos de conjunto. Isso foi muito importante, porque assimilaram tudo o que queríamos muito mais rápido."

"No jogo com a Inglaterra, o time estava muito mais inteiro, todo mundo preparado, já com uma noção básica daquilo que queríamos de cada um. Acho que tivemos uma organização tática muito boa, com jogadas em velocidade, trocas de passes. Tivemos ótimas chegadas com muita infiltração, tivemos também muita variedade pela mobilidade e movimentação dos meias e atacantes."

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"Já no jogo de ontem (26), tivemos apenas dois dias e meio após a vitória por 1 x 0 contra a Inglaterra, com uma viagem na véspera desse jogo e não nos recuperamos totalmente, muito pelo contrário. A Espanha não havia jogado com o time titular na derrota por 1 x 0 para a Colômbia na sexta-feira (22), segurou seus jogadores, treinou esses 8 ou 9 dias para enfrentar o Brasil."

"Nesse jogo senti muita falta de força, de explosão. Na realidade, a equipe estava sem energia e isso comprometeu a nossa marcação. Fomos envolvidos e sofremos os dois gols, mas aí tem o lado positivo de tudo."

"Voltamos para o segundo tempo com quatro alterações e o time se equilibrou de uma maneira mais homogênea, com muita aproximação e começamos a ter mais oportunidades até chegarmos ao gol."

"Mas depois de uns 6 ou 7 minutos, eles voltaram a tomar conta da partida, porque coloquei a equipe mais ofensiva para buscar o resultado, e perdemos um pouco o poder de marcação. Aí eles encontraram um novo pênalti."

"Na minha concepção, o primeiro não foi, e o segundo foi muito duvidoso. Fizeram o terceiro gol, mas o principal foi que tivemos força, demonstrando um forte poder de reação para buscarmos, aí no fim, o gol de empate."

Essa foi a mensagem que recebi do Dorival Jr, que achei muito clara e realista, de acordo com os fatos dos dois jogos.

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A parte mais interna também achei bem interessante, porque acredito no estudo dos próprios jogadores sobre o que terão que fazer em campo.

Não se arruma uma equipe só treinando no campo, precisa ter uma espécie de apostila sobre o que o treinador quer de cada jogador, para que eles estudem e memorizem seus movimentos. Assim, quando chegarem para treinar, já estejam familiarizados mentalmente com o treino tático.

Quando jogava no Torino, o auxiliar do nosso saudoso treinador Emiliano Mondonico me passava as características de todos os jogadores da defesa e do volante do time adversário, para eu saber de quem eu poderia roubar a bola ou criar um pânico quando estivesse saindo jogando.

Ele me passava na véspera e eu estudava no quarto as características de cada um, era fantástico.

Como já escrevi aqui, achei muito bom esses dois amistosos, principalmente na organização tática e no poder de reação. Agora precisaremos esperar até o dia 08/6, quando o Brasil jogará um amistoso contra o México, e o dia 12/6, quando enfrentará os Estados Unidos, para termos como comparar o comportamento e o rendimento da seleção de Dorival Júnior.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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