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Juve volta ao topo e leva a Itália a Berlim para rever glória da Copa 2006

Do UOL, em São Paulo

14/05/2015 06h00

A Juventus não é uma zebra. A Itália volta a Berlim. 

A comoção entre torcedores, jogadores e jornalistas pela classificação da Juventus diante dos favoritos do Real Madrid pode ser resumida nas duas frases do primeiro parágrafo. Em uma só tacada, a “Velha Senhora” entra no seleto clube dos melhores da Europa depois de 12 anos, dá glória internacional a uma Itália que sofre com a crise e permite que nomes como Buffon e Pirlo revejam o palco da final da Copa de 2006 no fim da carreira.

Não é por acaso que o hino da vitória em Madrid foi “Andiamo a Berlino” (veja no tweet abaixo), mesmo canto que os italianos entoaram em Dortmund em 2006, quando a Itália eliminou a Alemanha em um jogo histórico. A final da Copa do Mundo daquele ano é a última glória esportiva de uma das seleções mais tradicionais do futebol, que desde então acumula duas eliminações na primeira fase.

Some-se a isso a crise interna do futebol italiano. A Juventus, especialmente, não sabia o que era uma semifinal desde 2003, quando perdeu a decisão para o Milan. Eram outros tempos. Naquele ano, não bastassem os dois finalistas, a Itália ainda emplacou a Inter na semifinal, em um dérbi histórico.

Desde então, o país da Bota brilhou de forma fugaz entre os maiores. O Milan venceu em 2007 e paulatinamente foi perdendo espaço na Liga. A Inter teve seu grande momento em 2010, mas desfez a geração campeã e nunca mais apareceu entre os melhores.

O declínio foi tanto que o país perdeu espaço para a Inglaterra no chamado “coeficiente Uefa”, que define o número de vagas e dinheiro para cada país do continente de acordo com o desempenho esportivo dos clubes. A Itália, hoje, só tem três vagas no maior torneio de clubes do planeta.

“Você deu honra à Itália”, disse Arrigo Sacchi, bandeira do futebol italiano, ao falar sobre o feito do técnico Massimiliano Allegri de colocar a Juventus entre os maiores.

Voltar ao topo no palco da última glória esportiva do país foi uma mensagem presente na fala de quase todos os jogadores. “Voltamos a colocar a Juve na história”, disse Tevez. “A história volta a se repetir. Nos vemos em Berlim”, escreveu Andrea Pirlo em seu Twitter.

O volante estava lá, assim como Buffon. Os dois são, ao lado do reserva Barzagli, os únicos remanescentes do título italiano de 2006 na Juventus atual. Para o goleiro será a chance de vencer a Liga dos Campeões pela primeira vez na carreira. É o único título que falta a quem é considerado um dos maiores da história em sua posição.

“Não vamos fazer turismo”, avisa o capitão da Juventus.

E aí voltamos à primeira frase do texto. Em sua oitava final de Liga dos Campeões, a Juventus exige respeito, seja lá quem for o rival. E o Barcelona de hoje, com Messi, Suárez e Neymar, é dos mais difíceis que poderiam aparecer. De novo, discurso ensaiado na Itália.

“Somos fortes, podemos bater qualquer um”, disse Chiellini. “Como se para Messi? Com bons defensores. E eu sou bom”, completa Buffon. 

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