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Sem Reginaldo Leme, Galvão perde 4º companheiro de transmissão em um ano

Divulgação/TV Globo
Imagem: Divulgação/TV Globo

Marcelo Tieppo

Colaboração para o UOL

29/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Reginaldo Leme deixou a Globo após mais de 40 anos no automobilismo da emissora
  • No último ano, saíram também Arnaldo Cezar Coelho, Mauro Naves e Tino Marcos
  • Galvão Bueno tem contrato com a Globo até 2022 e se recupera de um infarto
  • Narrador manifestou vontade de trabalhar no Mundial, que terá participação do Flamengo

Galvão Bueno, 69 anos, está na Rede Globo desde 1981 e virou o narrador número um do futebol na emissora depois da Copa de 1986, no México. Na Fórmula 1, ele assumiu o comando das transmissões em 1982. De lá pra cá, fez uma parceria de 37 anos com o comentarista Reginaldo Leme, que já cobria automobilismo na emissora desde 78. Com o anúncio da saída de Regi, como é chamado pelos amigos, o narrador perdeu o quarto parceiro de transmissões esportivas em apenas um ano.

Os dois tiveram alguns entreveros durante essa longa jornada, mas o carinho de Galvão pelo companheiro foi expresso diversas vezes. No GP da China deste ano, em abril, Galvão lamentou a ausência do colega, que estava hospitalizado por causa de uma pneumonia. Era o GP de número 1000 da modalidade, e o narrador dedicou para Reginaldo Leme a transmissão, desejando um breve retorno.

Reginaldo Leme e Galvão Bueno (ao lado de Luciano Burti): comentarista e narrador foram companheiros por 37 anos na Globo - Instagram/Reprodução
Reginaldo Leme e Galvão Bueno (ao lado de Luciano Burti): comentarista e narrador foram companheiros por 37 anos na Globo
Imagem: Instagram/Reprodução
A debandada dos companheiros de transmissão de Galvão começou em novembro do ano passado. Na estrada com Galvão desde 1989, o comentarista de arbitragem Arnaldo Cezar Coelho foi o primeiro a deixar a emissora. Com lágrimas, ele se despediu durante o amistoso entre Brasil e Camarões e deixou o narrador também emocionado. Dono de famoso bordão "A regra é clara", Arnaldo abriu mão de um ano de contrato e se aposentou antes.

Em junho deste ano, foi a vez de Mauro Naves deixar a cobertura da seleção brasileira antes do início da Copa América. O repórter foi afastado porque passou o telefone do pai de Neymar para o advogado da modelo Najila Trindade, que acusou o jogador de estupro. A emissora entendeu que a atitude contrariou o manual de conduta dos profissionais e anunciou a saída definitiva de Naves um mês depois.

Galvão Bueno e Mauro Naves participaram juntos de seis coberturas de Copas do Mundo a partir de 1998, além de amistosos e competições como Copa América e Copa das Confederações. Amigo do repórter, o narrador tentou evitar a demissão do companheiro de trabalho, mas não obteve sucesso.

Apenas dez dias depois da saída de Mauro Naves, foi a vez de o repórter Tino Marcos pedir licença não remunerada para a emissora. Tino vai voltar para a Globo em janeiro do ano que vem, mas em um esquema diferente. Ele já anunciou que em princípio não vai mais participar da cobertura da seleção e também deve ficar de fora da Olimpíada. Com Tino, Galvão tem uma parceria na seleção de 30 anos. Os dois estavam juntos na conquista da Copa América, em 89, aqui no Brasil. Eles fizeram dobradinha nas últimas oito Copas do Mundo.

A saída da dupla titular das transmissões criou até uma saia justa, em agosto, durante o programa "Bem, Amigos". Apresentado como setorista da seleção brasileira, o repórter Eric Faria soltou um: "Só sobrou eu, né." Galvão teve que explicar então que Mauro Naves infelizmente tinha deixado a emissora e que Tino Marcos e Marcos Uchôa, outro que havia participado da cobertura da Copa América, haviam pedido licença não remunerada.

As mudanças nas parcerias de trabalho não tiraram a motivação de Galvão Bueno, que tem contrato com a Globo até 2022. Ainda em recuperação de um infarto, ele já manifestou o desejo de transmitir o Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, que vai ter a participação do Flamengo. Se for confirmado pela emissora, Galvão deverá ter ao seu lado o último remanescente nas coberturas de futebol: Casagrande, que participa das transmissões com o narrador desde a Copa das Confederações de 99.

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