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Osaka domina Brady e conquista o bi no Australian Open

Reuters
Imagem: Reuters
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

20/02/2021 07h03

Aos 23 anos, Naomi Osaka entrou na Rod Laver Arena com um favoritismo atípico para sua idade. A japonesa, dona de três títulos de slam e mulher mais bem paga do esporte mundial segundo a Forbes, vinha de uma imponente vitória sobre Serena Williams e encararia a também americana Jennifer Brady, 25 anos, #24 do mundo, que fazia sua primeira aparição em um jogo desta importância. Pois Osaka pouco se incomodou com pressão ou expectativa. Sólida desde o começo e melhor nos pontos importantes, ela venceu um primeiro set apertado e depois atropelou. Por 6/4 e 6/3, conquistou seu segundo título do Australian Open e o quarto slam da carreira.

Com a vitória deste sábado, sua 21ª consecutiva no circuito mundial, a japonesa se torna apenas a 16ª mulher da Era Aberta do tênis (a partir de 1968) e vencer quatro slams e a primeira desde Monica Seles, no início dos anos 1990, a vencer as quatro primeiras finais de slam que disputou. A última derrota de Osaka dentro de quadra aconteceu em fevereiro do ano passado, há mais de um ano, na Fed Cup. Desde então, conquistou os título do US Open e do Australian Open. Ela também venceu jogos no WTA de Cincinnati e no WTA 500 Gippsland Trophy (Osaka abandonou estes dois eventos, e WOs não contam como derrotas nas estatísticas oficiais).

Osaka também entra para os livros como a sétima mulher a conquistar o Australian Open depois de salvar match point em algum momento do torneio. O rol também tem Seles (1991), Jennifer Capriati (2002), Serena Williams (2003 e 2005), Na Li (2014), Angelique Kerber (2016) e Caroline Wozniacki (2018). Osaka esteve a um ponto da eliminação nas oitavas de final, quando sacou em 3/5 e 15/40 no terceiro set.

Como aconteceu

Osaka começou a partida afiada no saque e agredindo com as devoluções. Acertando quase tudo que tentava, a japonesa conseguiu sua primeira quebra de saque já no quarto game, fazendo 3/1. Parecia que a experiência de Naomi em finais de slam facilitaria as coisas, mas ela cometeu quatro erros não forçados e uma dupla falta no quinto game, cedendo a quebra de volta. Brady aproveitou e, com bons saques, igualou o placar em 3/3 pouco depois.

O jogo seguiu equilibrado e com pouca margem para instabilidade. Osaka se safou de 15/30 no sétimo game, e Brady salvou um break point no oitavo. No nono game, foi a americana que teve uma chance de quebra, mas a japonesa se salvou com uma excelente direita cruzada no contrapé da rival. Brady, então, vacilou nos pontos importantes. Depois de errar uma devolução de saque quando tinha 0/30 no game anterior, a americana fez um pavoroso fim de set. Sacando com game point, fez uma dupla falta. Em seguida, um erro não forçado deu set point para Osaka. Pouco depois, Brady jogou uma direita fácil na rede, selando o placar da primeira parcial: 6/4.

Com o momento a favor, a japonesa foi implacável. Conseguiu uma quebra já no segundo game do segundo set e confirmou em seguida para abrir 3/0. Brady não conseguiu elevar o nível a ponto de voltar a equilibrar o duelo, e Osaka disparou na frente. Quando a americana jogou uma direita na rede e cedeu outra quebra, Osaka venceu seu sexto game seguido. O título era questão de tempo. Brady ainda conseguiu devolver uma das duas quebras, mas foi muito pouco e tarde demais.

Subida no ranking

Com o título, Osaka, ex-número 1 do mundo e atual terceira colocada na lista da WTA, vai subir para a segunda posição quando o ranking for atualizado, na próxima segunda-feira. Brady, por sua vez, fará sua estreia no top 20. Com o vice, ela garante uma ascensão para o 13º posto.

O que significa

Naomi Osaka se consolida como a melhor tenista do circuito atualmente - pelo menos em quadras duras. Se ainda lhe falta conquistar Roland Garros em Wimbledon, a japonesa já tem dois títulos em Melbourne e Nova York. Fazer isso com 23 anos é para poucos. Além disso, a maneira como a japonesa entrou em quadra carregando o favoritismo foi louvável.

Sobre o duelo com Brady, houve apenas um momento de dúvida. O nono game, com o placar em 4/4 e Osaka sacando em 0/30. A devolução de segundo saque que a americana errou neste momento marcou sua última chance real no jogo. A japonesa venceu seis games depois disso, decidindo a partida.

Taticamente, não houve grandes ajustes. Ambas têm saques poderosos e tentaram controlar os pontos a partir disso. Osaka, contudo, é um pouco melhor do que Brady em tudo. Seu saque é mais potente e lhe dá mais pontos de graça, suas devoluções são mais consistentes, o backhand cruzado é melhor, e o mesmo pode ser dito da movimentação em quadra. Brady precisaria executar seu jogo muito melhor para sair como campeã neste sábado. Não seria fácil.

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