PUBLICIDADE
Topo

Djokovic bate Tsitsipas em 5 sets e fará final de Roland Garros com Nadal

FFT
Imagem: FFT
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

09/10/2020 17h32

Número 1 do mundo, cabeça de chave 1 e invicto no saibro em 2020, Novak Djokovic passou momentos delicados e viu Stefanos Tsitsipas iniciar uma reação furiosa, mas acabou fazendo valer sua experiência e saiu de quadra com uma vitória nervosa por 6/3, 6/2, 5/7, 4/6 e 6/1, em 3h54min, garantindo sua vaga na final de Roland Garros. No domingo, o sérvio vai encarar Rafael Nadal, 12 vezes campeão do torneio, pelo título do slam do saibro.

Campeão em Paris em 2016, Djokovic fará sua oitava partida contra Rafa em Roland Garros. Nesses confrontos, o espanhol leva ampla vantagem, com seis vitórias. Nole, porém, venceu a mais recente, em 2015. Será apenas a terceira final entre eles em Paris. Nadal venceu as duas anteriores: 2012 e 2014.

O triunfo desta sexta-feira foi o 37º de Djokovic em 2020. Ele é o tenista com mais vitórias na elite do circuito masculino e soma apenas um revés na temporada. A derrota aconteceu no US Open, na partida contra Pablo Carreño Busta. O espanhol vencia o primeiro set por 6/5 quando Djokovic deu uma bolada em uma juíza de linha e acabou desclassificado do torneio.

Como aconteceu

O número 1 do mundo foi ameaçado logo no primeiro game, mas saiu de um 0/40 ao executar uma bola vencedora de esquerda e contar com duas devoluções erradas do rival. Tsitsipas pagou caro pelas chances perdidas. Já no segundo game, Djokovic conseguiu a quebra com uma direita vencedora na cruzada. Depois disso, o número 1 manteve seu saque até fechar o set em 6/3. O único susto veio no sétimo game, com mais um break point, mas novamente Nole foi impecável sob pressão e venceu um rali de 24 golpes

O segundo set foi um pouco mais do mesmo, com Djokovic jogando um tênis de altíssimo nível do começo ao fim, enquanto Tsitsipas mostrou brilho, mas foi menos consistente e vacilou feio em duas oportunidades. A primeira foi no quinto game, quando ele sacava em 2/2 e 40/0, mas foi quebrado após errar dois smashes seguidos. O grego também teve 40/0 no sétimo game e, mais uma vez após falhas consecutivas, perdeu o saque. Djokovic fez 6/2 rapidamente em seguida.

No terceiro set, a primeira quebra demorou para vir. Djokovic salvou mais um break point (salvou os dez primeiros que enfrentou na partida) logo no segundo game e, depois disso, os dois seguiram confirmando seus saques até o nono game, quando Tsitsipas precisou lidar com uma chance de quebra. Clínico, o número 1 jogou um ponto perfeito e quebrou o serviço do rival.

Match point perdido

A partida parecia decidida, mas Djokovic desperdiçou um match point no seu saque, e o desafiante não desistiu. Depois de desperdiçar mais dois break points, Stefanos finalmente conseguiu a quebra, que veio após um erro do sérvio. A recuperação do grego mudou o jogo. Tsitsipas passou a jogar ainda mais agressivo e viu Djokovic errar mais. No 12º game, novamente pressionado, Nole ainda salvou um break point, mas viu o oponente disparar uma direita indefensável para chegar à quebra, fazer 7/5 e forçar o quarto set.

Aproveitando o momento favorável, Tsitsipas saiu na frente no quarto set, abrindo 2/0. O número 1, contudo, reagiu rápido e devolveu a quebra imediatamente, impedindo que o grego abrisse vantagem e ganhasse ainda mais confiança. Isso reequilibrou a partida, e Nole achou um nível ainda mais alto em suas devoluções. Sempre pressionado, Stefanos precisou salvar mais três break points no quinto game, outros quatro no sétimo e mais um no nono. Foi a vez de Djokovic pagar caro pelas chances não aproveitadas. No décimo game, com 4/5 no placar, o número teve 40/15, mas cometeu três erros seguidos, perdendo o saque e o set.

Quando o quinto set começou, o momento parecia favorável ao grego, que salvou mais um break point no primeiro game e saiu na frente. Porém, a pressão de Djokovic nas devoluções continuava e acabou dando resultado no terceiro game, quando o sérvio encaixou uma curtinha indefensável e aproveitou a chance de quebra. O ponto mudou a partida novamente. O número 1 voltou a se encher de confiança, enquanto o desafiante perdeu o ânimo. No quinto game, Tsitsipas perdeu o serviço mais uma vez ao cometer uma dupla falta. Depois disso, com 4/1 de frente, Nole passou por cima.

Como Nadal avançou

Nadal semi RG 2020 - Reuters - Reuters
Imagem: Reuters

Rafael Nadal chegou à final ao vencer a primeira semifinal do dia. O espanhol aplicou 6/3, 6/3 e 7/6(0) sobre o argentino Diego Schwartzman em uma partida mais equilibrada do que o placar sugere. O duelo teve nove quebras de saque e 21 chances de quebra em três sets. O resultado final reflete, contudo, a diferença de nível nos momentos mais importantes da partida. Quase sempre que precisou, Rafa conseguiu jogar agressivo e de forma precisa. Schwartzman, que havia derrotado o espanhol no Masters de Roma, menos de um mês atrás, não foi tão bem assim nos "pontos grandes".

A partida foi marcada por muitos ralis, quase sempre com Nadal tentando direcionar seu forehand contra o backhand do argentino para "abrir a quadra" e, então, agredir na paralela. Schwartzman tentava o contrário e nem sempre tinha sucesso, mas o plano era atacar na cruzada com sua direita, encontrando o backhand do espanhol. Sem conseguir ganhar muitos pontos de graça com o saque, o sul-americano foi forçado a arriscar mais e acabou cometendo muito mais erros do que o veterano (48 a 34).

Para Nadal, a decisão deste domingo será a chance de não apenas somar sua 100ª vitória em Roland Garros, mas conquistar seu 13º título no torneio e seu 20º slam ao todo. Caso triunfe, igualará o recorde de Roger Federer, maior vencedor de slams em simples na história do tênis masculino.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.