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RG dia 1: lentidão, frio e polêmica com Murray dão tom a um torneio incomum

Getty Images
Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

27/09/2020 19h49

O primeiro dia de Roland Garros 2020 foi uma bela prévia do que esperar para as próximas 14 jornadas de tênis: uma edição do slam parisiense como nenhuma outra. Chuva, frio, teto retrátil, iluminação artificial e bolas diferentes formaram um combo que, misturado à ausência quase total de público (são apenas mil espectadores por dia), criaram ambiente e condições de jogo quase nunca vistas antes na capital francesa.

Dentro de quadra, o que se viu foram ralis mais longos e mais camadas de roupas. Apesar disso, o torneio teve poucas zebras relevantes até agora, apesar de algumas cabeças de chave rolando entre as mulheres. Johanna Konta, cabeça 9, Annet Kontaveit [17] e Dayana Yastremska [24] se despediram mais cedo. Fora de quadra, os microfones se concentraram nas opiniões bem divergentes sobre as novas bolas usadas em Roland Garros este ano.

Rafael Nadal e Dominic Thiem, que fizeram as finais masculinas em 2018 e 2019, odiaram as novas amarelinhas, feitas pela Wilson. As bolas usadas este ano são mais duras e aumentam de tamanho com o passar dos games, o que deixa o jogo mais lento. Espanhol e austríaco preferiam as bolas da Babolat, usadas até o ano passado e que eram mais rápidas e quicavam mais alto, o que ajuda os estilos de jogo de ambos (e a Babolat é patrocinadora pessoal dos dois tenistas). Mas não foram só eles reclamando. O britânico Dan Evans disse que não daria essas bolas nem para seu cachorro mastigar.

As redondas, contudo, são apenas uma parte do que vem deixando o jogo mais lento nesta edição de Roland Garros. Outro grande fator é o clima. Este ano, por conta da pandemia, o evento é realizado no outono em vez de no verão. As temperaturas são muito mais baixas. Neste domingo, os termômetros registraram menos de 15 graus, o que também ajuda a reduzir a velocidade com que as bolas atravessam a quadra. A umidade e, claro, a chuva, contribuem ainda mais para a lentidão.

Para lidar com tudo isso, os tenistas apelaram para mais camadas de roupas e ajustes nas raquetes. Foi possível ver gente jogando pontos de agasalho e calças. Também houve quem alterasse a pressão com que as cordas são colocadas na raquete. Alexander Zverev contou na coletiva que vem usando três quilos a menos na calibragem para compensar as condições lentas (quanto menos peso, mais velocidade gerada na bola). John Isner, outro tenista agressivo, reduziu em 2,7 quilos sua calibragem.

Tudo isso faz de Roland Garros 2020 um teste e tanto para o circuito mundial. O torneio deste ano exigirá ajustes técnicos, planejamento tático e, obviamente, força mental para resistir diante de todas essas condições incomuns quando as coisas não estiverem dando certo. É justo imaginar que os campeões serão não apenas grandes atletas - o óbvio do óbvio - mas os que tiverem maior capacidade de adaptação a este slam nada habitual.

Andy Murray, Mats Wilander e a polêmica do dia

Além das diferentes opiniões sobre as condições de jogo, o primeiro dia ficou marcado por uma forte opinião do sueco Mats Wilander, tricampeão de Roland Garros e atual comentarista do canal Eurosport. Após ver Stan Wawrinka derrotar Andy Murray com facilidade por 6/1, 6/3 e 6/2, o ex-tenista disse: "Eu me preocupo com Andy Murray, nos dando uma falsa esperança de que ele vai voltar algum dia. Ele tem o direito de estar ali recebendo/ocupando os wild cards de jogadores mais jovens?"

Wilander acredita não só que o ex-número 1 do mundo não voltará a ser tão competitivo quanto antes, mas também acha que convites como o que Murray recebeu para disputar o slam fracês deveriam ser dados a tenistas mais jovens, em ascensão. O escocês, que volta ao circuito após duas cirurgias no quadril e joga com uma prótese, é o atual #111 do mundo e precisaria disputar o qualifying se não recebesse o wild card (convite) de Roland Garros.

Murray viu a opinião de Wilander e postou a frase em sua conta no Instagram junto do seguinte comentário (veja acima): "Amo isso".

E foi só o primeiro dia...

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.