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Com virada histórica, Thiem conquista US Open e fatura 1º slam do pós-Big 3

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Imagem: Getty Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

13/09/2020 21h19

O austríaco Dominic Thiem, número 3 do mundo, finalista de três slams e invicto contra Alexander Zverev nos quatro maiores torneios do circuito, entrou em quadra como franco favorito neste domingo, na final do US Open. O austríaco, no entanto, fez um péssimo início e viu um competente rival abrir 2 a 0. Aos poucos, porém, Thiem encontrou uma maneira de equilibrar o jogo, mudou a história da partida e saiu de quadra com uma vitória memorável por 2/6, 4/6, 6/4, 6/3 e 7/6(6) em mais de 4h para conquistar o título do torneio americano.

Foi a primeira vez na Era Aberta do tênis (a partir de 1968) que alguém venceu a final do US Open depois de perder os dois primeiros sets. Thiem também se tornou o primeiro campeão de slam da geração pós-Big Three, grupo formado por Roger Federer (campeão de 20 slams), Rafael Nadal (19) e Novak Djokovic (17). O austríaco de 27 anos também é o primeiro homem nascido na década de 1990 a levantar um troféu de slam em simples. Antes dele, atletas da década de 1980 venceram 63 slams seguidos.

Para Zverev, a final do US Open foi a melhor campanha da carreira em um torneio do grand slam. Antes, ele só havia alcançado as semifinais uma vez, o que aconteceu no Australian Open deste ano - quando perdeu para o mesmo Thiem. O austríaco soma oito vitórias em dez jogos contra Zverev (4 a 0 em slams).

Como aconteceu

Favorito ao título nas casas de apostas e para a maioria dos especialistas, Thiem não teve um bom início. Com apenas 37% de encaixe de primeiro serviço e três duplas faltas, o austríaco foi presa fácil para o alemão, que atacava com precisão a cada bola mais curta do rival. Zverev aproveitou as chances de quebra e, em menos de meia hora, já abria 5/2. Sem ceder um break point sequer, fechou a parcial em 6/2 com um ace.

Quando a segunda parcial começou, Zverev somava 16 winners contra apenas quatro de Thiem, que já acumulava oito erros não forçados e três duplas faltas. Pouco mudou. O austríaco conseguiu salvar um break point no primeiro game, mas continuava errático a aparentemente inseguro. No terceiro game, Zverev aproveitou uma bola curta para disparar uma direita indefensável e conquistar outra chance de quebra. Uma direita longa de Thiem - seu 13º erro não forçado até então - deu o game a Zverev.

O alemão teve muitas chances para fechar o segundo set rapidamente. Primeiro, não converteu três set points com Thiem sacando em 1/5. Depois, perdeu mais um set point ao errar um voleio fácil sacando em 5/2. O jogo ficou tenso. Thiem conseguiu a quebra, confirmou o serviço rapidamente e forçou o rival a sacar em 5/4. Zverev só fechou em 6/4 depois de fazer uma dupla falta, cometer mais um erro não forçado e sacar em 30/30.

O fim do segundo set parecia ter colocado Thiem de volta no jogo, mas... não. Logo no terceiro game da terceira parcial, o #3 do mundo cometeu mais erros. Até conseguiu sair de 15/40, mas errou um voleio e uma direita depois e acabou quebrado. Nada do que Thiem tentava tinha sucesso. Os slices não incomodaram Zverev e, do fundo de quadra, o austríaco não conseguia nem a profundidade de bolas nem a consistência para ganhar os ralis. Até quando teve dois break points no quarto game - cortesia de uma dupla falta e um erro do alemão - Thiem devolveu mal um segundo saque e mandou uma direita para fora. Ainda assim, Zverev deu outra chance, e a quebra finalmente veio, deixando o placar em 2/2. A partir daí, o duelo seguiu equilibrado, e foi Zverev que vacilou no fim. Sacando em 4/5, cometeu uma dupla falta, jogou um slice na rede e mandou uma direita nada forçada para fora. O ponto deu a quebra e o set para Thiem: 6/4.

A dinâmica do jogo era outra quando começou o quarto set. Thiem errava menos e agredia mais do que Zverev, e o alemão encontrava mais trabalho para confirmar ser serviço. O austríaco teve dois break points no sexto game, mas não conseguiu converter. No oitavo, Zverev cedeu outra chance de quebra ao cometer uma dupla falta. Com uma direita na rede, perdeu o game e deixou Thiem à frente por 5/3. Pouco depois, Dominic confirmou o serviço sem problemas e forçou o quinto set.

Final nervoso

A parcial decisiva já começou melhor para Thiem. Zverev fez mais uma dupla falta (sua 12ª no jogo) e, depois, errou dias direitas seguidas para ceder a quebra. O austríaco, no entanto, devolveu a cortesia imediatamente ao cometer uma dupla falta no break point e deixar o placar igualado (1/1) novamente. O duelo ficou parelho novamente, e Zverev voltou a pressionar o saque o austríaco. No sexto game, Thiem precisou sair de 0/30 para confirmar o saque. No oitavo, uma direita de Dominic na rede deu um break point ao alemão. Na sequência, uma direita agressiva de Zverev forçou um erro do oponente e, consequentemente, a quebra. O alemão abriu 5/3 e sacou para o jogo, mas cometeu três erros não forçados e se viu diante de 15/40. Salvou o primeiro break point com um bom saque, mas errou um voleio e foi quebrado de volta.

O momento era tão tenso que o oportunista DJ do Estádio Arthur Ashe colocou "Under Pressure" (Sob Pressão), do Queen, no sistema de som antes do décimo game. Thiem sacou obviamente pressionado em 4/5 e igualou o placar graças a duas direitas espetaculares após estar abaixo em 15/30 (veja a segunda delas acima). A coragem foi recompensada e mudou o jogo. Thiem abriu o 11º game com mais uma direita vencedora e seguiu agredindo. Zverev errou três bolas e perdeu o saque.

Era a vez de o austríaco, com 6/5 no placar, sacar para o título, mas ainda havia drama pela frente. Dominic pediu atendimento médico e recebeu massagem na coxa direita antes de voltar para a quadra. O #3 do mundo errou duas direitas e cedeu dois break points. Salvou o primeiro graças a uma devolução ruim de Zverev, mas viu o alemão disparar uma direita vencedora e forçar o tie-break.

Thiem sentia dores, não se movimentava como antes e usava quase só slices no backhand. Zverev tinha problemas com o saque. O relógio mostrava mais de 3h50min de jogo. O drama era enorme. Na primeira virada de lado, o placar estava igualado em 3/3. O alemão fez uma dupla falta no 3/4 e deu um enorme mini-break para o austríaco. No 6/4, Thiem teve uma ótima chance com uma direita, mas mandou na rede. Outra direita errada jogou fora seu segundo match point. Dois pontos depois, porém, o austríaco finalmente pôde comemorar. Fez uma passada de direita para chegar ao terceiro match point e viu Zverev cometer um erro não forçado em seguida.

Virada igual só em 1949

A última vez que alguém havia vencido uma final de US Open após perder os dois primeiros sets aconteceu antes da Era Aberta do tênis, que começou em 1968. O protagonista do feito anterior foi Pancho González, que saiu de 0-2 para derrotar Ted Schroeder na decisão do torneio americano de 1949.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.