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Só surto inesperado de covid-19 em Nova York pode impedir US Open

Divulgação/USTA
Imagem: Divulgação/USTA
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

31/07/2020 04h00

Depois de muitas conversas sobre os protocolos de segurança e debates com atletas e patrocinadores, o US Open vai mesmo acontecer de acordo com o que vinha sendo planejado pela federação de tênis dos Estados Unidos, a USTA. O torneio será realizado sem público no Billie Jean King National Tennis Center, na região de Flushing Meadows, de 31 de agosto a 13 de setembro.

Segundo minha apuração, os tenistas já foram informados sobe os protocolos anticovid, e a USTA não tem intenção de fazer um anúncio formal de confirmação do torneio porque na visão da entidade - pelo menos oficialmente - a realização do US Open nunca esteve em dúvida. Nas reuniões entre atletas e organizadores, a única hipótese que pode impedir o evento seria um surto inesperado de casos de covid-19 em Nova York, onde os números têm sido baixos recentemente. O estado, que chegou a ter mais de 11 mil novos casos em um período de 24 horas no mês de abril, registrou "apenas" 777 novos infectados e 13 mortes nesta quinta-feira, 29 de julho.

Ainda sobre os protocolos anticovid, deve haver, no entanto, uma comunicação à imprensa sobre todo procedimento que será adotado no US Open para preservar a integridade física de todos envolvidos no evento. Com o US Open praticamente seguro, o mesmo vale para o torneio de Cincinnati, Masters 1000 da ATP e série Premier na WTA. A competição também será realizada em Nova York, no mesmo complexo do US Open, uma semana antes do slam e igualmente sem público.

Desfalques certos

A combinação entre calendário lotado e a exigência de quarentena na Europa para viajantes chegando dos Estados Unidos provavelmente será responsável por um número inédito de desfalques na chave do US Open. As números 1 e 2 do mundo, Ashleigh Barty e Simona Halep, já avisaram que não competirão em Nova York. Por outro lado, Serena e Venus Williams, Naomi Osaka, Sloane Stephens e Kim Clijsters são nomes quase certos. Nesta quinta-feira, o WTA de Cincinnati divulgou a lista de tenistas convidadas, que incluía Clijsters, Osaka, Stephens e Venus, além da também americana Caty McNally.

Na chave masculina, a expectativa é de que Rafael Nadal opte por disputar apenas os torneios europeus. O mesmo pode acontecer com Stan Wawrinka, que já publicou em redes sociais uma imagem treinando no saibro com as bolas que serão usadas em Roland Garros. O número 1 do mundo, Novak Djokovic, aida não confirmou sua presença no torneio americano, mas vem treinando em quadras duras e, sem Nadal e Federer - que operou o joelho duas vezes este ano e só voltará ao circuito em 2021 - na disputa, terá uma boa chance de se aproximar dos rivais na corrida por títulos de slam.

Enquanto isso, os principais cartolas do tênis seguem negociando com autoridades europeias a dispensa de quarentena para os atletas que chegarem dos Estados Unidos. O calendário pós US Open inclui os torneios de Madri e Roma imediatamente depois do evento nova-iorquino. Em seguida, sem intervalo, vem Roland Garros.

Protocolos em questão

Na última semana, conta de Twitter do russo Oleg S. (@AnnaK_4ever) publicou alguns dos protocolos anticovid-19 distribuídos pela organização do US Open aos tenistas. Eles incluem os hotéis oficiais e algumas outras informações como: todos jogadores e convidados serão testados ao chegarem nos hotéis dos jogadores; tenistas e convidados devem ficar em seus quartos até receberem confirmação de resultado negativo para covid-19; só depois disso, eles terão acesso ao complexo do US Open; um segundo teste será feito 48 horas após a chegada; testes regulares acontecerão durante a semana; checagens diárias de temperatura serão feitos e questionários de sintomas devem ser preenchidos antes da entrada no complexo do torneio; o uso de máscaras é obrigatório a não ser durante bate-bolas, competição e treinos físicos; e protocolos de distanciamento social devem ser respeitados em áreas comuns.

Credenciais limitadas

O texto dizia também que cada tenista pode receber até três credenciais de convidados, conceito que inclui integrantes da equipe, como técnicos, preparadores físicos, fisioterapeutas, encordoadores e nutricionistas, mas também vale para pais, familiares, amigos, etc. Um desses convidados pode entrar na área de competição e transporte. Os demais só poderão acessar o transporte oficial quando houver espaço. Além disso, todos convidados devem ficar em um dos dois hotéis oficiais.

O trecho que veio a público não mencionava parte essencial do que foi revelado na última entrevista coletiva oficial do US Open. Na ocasião, a diretora do torneio, Stacey Allaster, disse que tenistas poderiam alugar casas e não citou limite de credenciais nem de acesso aos convidados. Talvez o US Open tenha recuado de sua política anticovid mais aberta ou simplesmente esse trecho não vazou nas redes. Isso deve ser esclarecido nos próximos dias, quando a USTA informar a imprensa.

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