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Austrália 3 x 1 Brasil: de volta aos playoffs, mas com algo a comemorar

Divulgação/Copa Davis/SMP Images
Imagem: Divulgação/Copa Davis/SMP Images
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

07/03/2020 06h22

Quando Thiago Monteiro jogou o último forehand deste sábado na rede, a Austrália comemorou o resultado que sempre foi o mais provável nesta fase classificatória da Copa Davis. Por 3 a 1, os donos da casa, mesmo desfalcados dos lesionados Nick Kyrgios (#39 do mundo) e Alex de Minaur (#26), fecharam o confronto e se garantiram na fase final da competição, que será na Caja Mágica de Madri, em novembro.

Se não conseguiu vencer o time B australiano, O Brasil teve boas atuações - com o destaque óbvio para Thiago Wild - e é preciso dizer que o capitão Jaime Oncins deve estar um tanto satisfeito com parte do que viu neste fim de semana. Não, não se trata de glamourizar derrota. Não é segredo que desde a queda de Thomaz Bellucci o Brasil não tem um time com condições de brigar por algo grande na Copa Davis. Logo, não faz sentido o redundante lamento em loop eterno.

A novidade deste confronto é que o Brasil atuou sem um grande número 1, sem a experiência de Marcelo Melo e Bruno Soares e, ainda assim, fez uma boa apresentação. Ainda que tenha sido contra o time B da Austrália, foi fora de casa, em quadras duras e com os Thiagos saindo da temporada de saibro para encarar um ajuste radical de piso e fuso horário em uma semana.

Além de Wild, é preciso comemorar a vitória da dupla de Marcelo Demoliner e Felipe Meligeni, que abriram o sábado derrotando John Peers e James Duckworth por 5/7, 7/5 e 7/6(6). Não foi lá um jogo magnífico. Duckworth esteve muito mal, e Demoliner não jogou à altura do que pode (ou do que se espera de um número 1 de uma dupla). Vale festejar, sobretudo a estreia de Felipe, que debutou mostrando raça, personalidade e coragem, características que já associamos com o sobrenome. E mais: taticamente, o time brasileiro atuou como precisava, explorando Duckworth o tempo inteiro.

Por fim, Thiago Monteiro esteve a alguns pontos de forçar o quinto jogo. O cearense fez uma boa apresentação, mostrando um tênis sólido, paciente e com boa leitura tática contra John Millman, que entrou em quadra disposto a alongar as trocas e pagar para ver o que o número 1 brasileiro faria. O cearense venceu o set inicial, mas faltou executar melhor nos outros dois tie-breaks. De novo, méritos e aplausos para Millman, que foi tão sólido quanto na vitória sobre Wild e terminou como o herói do confronto ao fazer 6/7(6), 7/6(3) e 7/6(3). Assumiu o posto de número 1 de seu país, carregando orgulhosamente esse peso nos ombros, jogou 2h51min na sexta, mais 3h05min no sábado, venceu três de quatro tie-break disputados e foi o grande responsável pela vitória australiana.

E agora?

Enquanto a Austrália avança para a fase final da Copa Davis, o Brasil vai disputar os playoffs do Grupo Mundial I, que reúnem os perdedores dos Qualifiers (como o Brasil) e os vencedores dos confrontos do Grupo Mundial I (não existem mais zonais na Copa Davis). O time verde-e-amarelo precisa vencer para voltar aos Qualifiers em 2021. Uma derrota significará o rebaixamento para o Grupo Mundial I, que é uma espécie se segunda divisão.

Coisas que eu acho que acho

- Depois de vacilar em dois games decisivos na sexta-feira, diante de Jordan Thompson, Thiago Monteiro foi muito mais consistente contra Millman. Parte da explicação para isso passa pelo fato de o #1 australiano ter usado poucas variações. Na maior parte do tempo, o veterano de 30 anos apenas alongou trocas de bola. Sem slices, sem curtinhas, sem chamar o brasileiro à rede. Isso deu ritmo a Thiago.

- Embora a atuação seja elogiável, é preciso registrar: Monteiro segue sem uma vitória grande em Copa Davis. Sem um número 1 capaz de aprontar uma eventual zebra (ou mesmo confirmar o favoritismo em algumas ocasiões), o time brasileiro da Davis seguirá tendo problemas - a não ser que Wild assuma logo esse papel e facilite a vida do cearense.

- Agora que acabou, dá até para comemorar as ausências de Marcelo Melo e Bruno Soares. Seus desfalques deram a Felipe Meligeni uma rara chance de estrear na Davis em um jogo relevante e ganhável. O campineiro aproveitou e deu seu recado: é outro nome a ser observado e considerado seriamente para formar o time no futuro. Junto com Wild e Menezes (e, quem sabe, Orlandinho e Matos quando os mineiros se aposentarem), Meligeni ajuda a compor uma base que será bem interessante para o capitão Jaime Oncins.

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