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'Carro é muito ruim': sofrimento de Hamilton na Mercedes continua no Canadá

George Russell em ação com a Mercedes nesta sexta-feira, em Montréal  - Jiri Krenek/Mercedes
George Russell em ação com a Mercedes nesta sexta-feira, em Montréal Imagem: Jiri Krenek/Mercedes
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

18/06/2022 10h52

Pouco antes de começar a entrevista após testar um assoalho modificado e um acerto diferente nos primeiros treinos livres para o GP do Canadá, Lewis Hamilton disse, quase num desabafo, "esse carro é muito ruim". É claro que ele tinha acabado de ter uma tarde ruim em uma pista especial para ele, onde venceu sua primeira corrida e sempre andou bem, depois de mais um dia em que as experiências da Mercedes não deram certo.

Mas também é justamente por isso que o heptacampeão estava tão desanimado. "Nada que a gente faz no carro parece funcionar." Com menos tempo de desenvolvimento no túnel de vento disponível por ter vencido o campeonato do ano passado nestes primeiros meses de campeonato, e com as restrições geradas do teto orçamentário, a Mercedes tem buscado resolver os problemas de seu carro testando diferentes abordagens de acertos e até fazendo experiências mais ousadas como aquela que o inglês usou no primeiro treino livre em Montreal: um assoalho com um buraco na lateral.

Tudo isso porque trazer peças novas constantemente, como seria o normal para uma equipe grande em dificuldades, não é algo realista com o regulamento técnico e financeiro da F1 atual. E também é verdade que a Mercedes parece ter dificuldade de encontrar seu caminho.

Embora os problemas de porpoising, um fenômeno aerodinâmico que faz o assoalho se movimentar verticalmente quando o carro está em alta velocidade tenha sido resolvido em grande medida com uma atualização no GP da Espanha, os dramas do time não acabaram. Agora que eles conseguem andar com o carro bem próximo ao solo porque não sofrem com porpoising, o assoalho tem batido no solo, no que é chamado bouncing. Esse comportamento tem a ver com os pneus de perfil baixo usados neste ano e com as suspensões mais rígidas quando os carros passam por ondulações ou atacam zebras. Alguns carros absorvem melhor esse impacto e a Mercedes não está entre eles.

Como há uma preocupação com a saúde dos pilotos em virtude desse quique do carro, a FIA já avisou que vai intervir com uma série de medidas que visa obrigar as equipes que sofrem mais com esse movimento façam modificações em seus carros. Isso, em teoria, piora ainda mais a situação da Mercedes, mas por outro lado a entidade também está permitindo que as equipes reforcem seus assoalhos, tornando-os mais grossos do que o regulamento permite. E isso pode ajudar o time a fazer seu conceito de sidepod zero funcionar. Inclusive, no Canadá, eles já estão usando uma segunda haste para tentar diminuir o movimento do assoalho.

Nada disso, contudo, será implementado já neste final de semana, em que Hamilton e o companheiro George Russell devem seguir tendo dificuldades. A tendência é que, após o sofrimento da sexta-feira, a equipe faça um acerto mais parecido entre os carros dos dois. "Acho que testamos os acertos mais distintos de toda a temporada, eles eram drasticamente diferentes", disse Russell. "Provavelmente vamos encontrar um meio termo para o resto do fim de semana."

Hamilton está menos otimista, dizendo que "parece que o carro está piorando, ele vai piorando a cada coisa que testamos, mas vamos continuar trabalhando."

O cenário para o GP do Canadá não é muito diferente das últimas duas corridas, também disputadas em pistas de rua, mais onduladas, onde o bouncing se faz mais evidente. Em uma volta lançada, a Mercedes está sofrendo mais, porém em ritmo de corrida eles são o terceiro melhor carro. Então, um resultado como o do GP do Azerbaijão, no qual Russell foi terceiro e Hamilton foi quarto (claro, aproveitando-se dos abandonos das Ferrari), é possível.

A partir da próxima etapa, em Silverstone, a F1 volta a circuitos permanentes e o comportamento do carro deve voltar ao visto em Barcelona, quando houve uma melhora significativa. Até lá, Russell e principalmente Hamilton, que tem assumido o papel de testar as saídas mais diferentes da Mercedes, devem ter mais um fim de semana difícil em Montreal.