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Por que as equipes da F1 não querem a entrada de mais um time na categoria

O ex-piloto americano Michael Andretti, que tenta voltar à F1 como dono de equipe - Penske Entertainment/Chris Owens
O ex-piloto americano Michael Andretti, que tenta voltar à F1 como dono de equipe Imagem: Penske Entertainment/Chris Owens

Colunista do UOL

22/02/2022 04h00

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A Fórmula 1 divulgou a extensão do contrato para realizar o GP dos Estados Unidos em Austin por mais cinco anos, garantindo pelo menos duas provas no país no período, já que o GP de Miami vai estrear nesta temporada e ficará no calendário por pelo menos 10 anos. E o CEO da categoria, Stefano Domenicali, já confirmou que eles buscam um terceiro circuito dos EUA, possivelmente em Las Vegas. Ao mesmo tempo, o norte-americano Michael Andretti tenta encontrar uma forma de entrar no grid da F1 com sua equipe, mas vem enfrentando resistência. Afinal, a F1 quer ou não quer vencer na América?

Andretti já tentou negociar a compra da também norte-americana Haas, e depois focou seus esforços na Alfa Romeo. Ambas negociações esbarraram no mesmo entrave: a falta de garantias financeiras de que a compra poderia ir adiante. Agora, Michael Andretti busca um caminho diferente e quer criar uma nova equipe na F1.

A notícia foi divulgada por seu pai, Mario, campeão da F1 em 1978. Ele publicou que "Michael apresentou um pedido à FIA para entrar com uma equipe na temporada de 2024. A Andretti Global, tem todos os recursos necessários e atende a todos os critérios. Agora ele aguarda o veredicto da FIA."

Mais uma equipe para dividir o bolo

O problema é que a F1 não tem vagas abertas neste momento, e as equipes já conseguiram se blindar em relação a isso com a assinatura do Pacto da Concórdia, que vale até o final de 2025. O documento não prevê, de acordo com a FIA, um processo de registro oficial ou mesmo estabelece critérios fixos para uma nova inscrição ser avaliada, como o tweet de Mario Andretti dá a entender. Na verdade, o que foi acertado no Pacto da Concórdia é que os interessados precisam depositar 200 milhões de dólares para começo de conversa.

Esse dinheiro serviria como uma compensação para as equipes que estão no campeonato, já que a chegada de mais um time significa que o dinheiro dos direitos comerciais tem de ser dividido por mais um. Essa foi uma mudança feita no último Pacto da Concórdia. Antes, a 11ª equipe simplesmente não fazia parte do bolo nos primeiros anos.

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O estádio do Miami Dolphins, time da NFL, no entorno do qual será montado o circuito do GP de Miami
Imagem: Divulgação

É essa divisão de dinheiro que pesa contra a candidatura da Andretti. Quando se fala em expandir o campeonato com mais provas nos Estados Unidos, isso significa mais dinheiro que entra justamente para esse bolo que é dividido entre as equipes. Isso porque cada promotor paga, anualmente, pelo menos 25 milhões de dólares para fazer provas fora da Europa. Ao passo que, ter mais um time, mesmo que ele seja norte-americano, só seria algo bem-vindo se a Andretti comprovasse que seu impacto financeiro positivo será maior do que o dinheiro que os rivais deixarão de ganhar simplesmente pelo fato de o grid ter mais um time.

Essa é uma montanha íngreme que o projeto tem de escalar. Nos últimos meses, tanto Domenicali, quanto o chefe da Mercedes, Toto Wolff, disseram que o esporte está "bem posicionado" com 10 equipes. "Mais do que isso só dilui o rendimento", disse Wolff. "Mas se uma montadora entrasse, teríamos que falar sobre isso".

Este ponto de vista de Wolff é o de outros chefes na F1: é possível até que essa taxa de 200 milhões de dólares seja revogada pelas equipes se os interessados gerassem um aumento do valor da própria categoria. E uma montadora como a Audi e a Porsche, por exemplo, que sentaram na mesa de negociações do regulamento de motores que estreia em 2026, potencialmente fariam isso. É o que a Andretti precisa provar, independentemente da nacionalidade, para conseguir sua vaga.

Não é por acaso que, por enquanto, só a Alpine se colocou de maneira positiva: os franceses não têm nenhum cliente para suas unidades de potência na F1, e veem no time norte-americano uma possibilidade de mudar isso. Novamente, é o dinheiro falando mais alto na categoria.