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REPORTAGEM

Após briga que durou meses, Red Bull cede um de seus principais engenheiros

Christian Horner, chefe da equipe Red Bull Racing na Fórmula 1 Imagem: Duda Bairros/AGIF
Julianne Cerasoli

Colunista do UOL

19/01/2022 04h00

Os bastidores da Fórmula 1 tiveram um movimento interessante com o acordo que selou a saída de chefe de aerodinâmica da Red Bull, Dan Fallows, que começará a trabalhar para a Aston Martin já em abril de 2022, bem antes do que o time de Max Verstappen e Sergio Perez vinha lutando (inclusive, na Justiça, para garantir).

O acordo entre as partes foi divulgado nesta terça-feira (18) e acabou sendo a saída menos litigiosa para a Red Bull, em um caso observado de perto por outras equipes, pois seu desfecho poderia chacoalhar o mercado de engenheiros na Fórmula 1.

Isso porque Fallows acertou com a Aston Martin bem antes do final de seu contrato, que acabaria somente em 2023, e pediu à Red Bull uma rescisão. O time baseado em Milton Keynes não queria liberá-lo justamente agora, já que Fallows era um dos principais engenheiros responsáveis pelo carro de 2022, bastante diferente devido a uma extensa mudança de regulamento técnico, e levaria segredos do time à rival. O plano de Christian Horner era que Fallows cumprisse seu contrato até o final e depois ficasse mais seis meses impedido de trabalhar, para que seu conhecimento ficasse obsoleto.

Isso é uma prática comum entre as equipes. Mesmo em épocas de regulamento estável, ou seja, quando o conhecimento que o engenheiro pode levar para sua nova equipe não é tão relevante como agora, é normal que ele pare de trabalhar, de maneira remunerada, por seis meses ou até mais antes de assumir um posto em alguma equipe rival. Inicialmente, a Red Bull teve ganho de causa, com possibilidade de recurso, mas a situação teria mudado recentemente, causando o recuo do time, que então fez um acordo financeiro com a Aston Martin para aceitar a rescisão.

Caso Fallows tivesse ido até o final e ganhado na Justiça o direito de sair, isso poderia fazer com que outras equipes baseadas na Inglaterra tentassem a mesma jogada da Aston Martin, já que abriria um precedente interessante para fisgar talento (e segredos) dos rivais.

Assim, a Red Bull está perdendo uma peça importante de seu time em um momento muito ruim, já que Fallows estava trabalhando ativamente na equipe até o final do ano passado, quando o time focava quase inteiramente no projeto de 2022, uma vez que a aposta da chefia da equipe era que eles conseguiriam segurá-lo até o final deste ano. Para piorar, ainda que indiretamente, a Aston Martin é uma equipe com laços estreitos com a Mercedes. A Aston, inclusive, usa o túnel de vento da Mercedes no desenvolvimento de suas peças aerodinâmicas.

Em sua nova equipe, acredita-se que Dan Fallows chegue para atuar como diretor técnico, cargo que é hoje de Andy Green.

A Aston Martin vem passando por uma reformulação ampla desde que o time, ex-Force India e Racing Point, foi comprado pelo bilionário Lawrence Stroll. As contratações têm acontecido em todas as frentes, com Martin Whitmarsh, ex-McLaren, e Mike Krack, ex-BMW, assumindo cargos administrativos e outras várias contratações de engenheiros, além da construção de uma nova fábrica. A ambição de Stroll é lutar pelo título a partir de 2025.

Em 2022, o time de Sebastian Vettel e Lance Stroll por enquanto será o primeiro a mostrar seu carro, dia 10 de fevereiro. McLaren (11/02), Ferrari (17/02) e Mercedes (18/02) também divulgaram suas datas. Os times farão duas baterias de testes na pré-temporada, entre 25 e 28 de fevereiro e entre 10 e 12 de março, e depois partirão para o início da temporada dia 20 de março, no Bahrein.

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