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Menos dias de evento e mais sprints: como a F1 planeja ter 23 GPs em 2022

Valteri Bottas na liderança do sprint do GP de Monza, em um dos testes do formato sprint - ANDREJ ISAKOVIC / AFP
Valteri Bottas na liderança do sprint do GP de Monza, em um dos testes do formato sprint Imagem: ANDREJ ISAKOVIC / AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

14/10/2021 04h00

O calendário de 2022 da Fórmula 1 só está pendente de uma ratificação, em uma reunião do Conselho Mundial de Automobilismo, nesta sexta-feira (14), e terá 23 provas, um novo recorde na história da categoria, que está fazendo 22 eventos neste ano. Porém, em meio a muitas críticas e a um êxodo de profissionais fugindo de longos períodos fora de casa, algumas mudanças no formato dos finais de semana também estão sendo discutidas e podem entrar em vigor já no próximo ano.

As mudanças foram discutidas primeiro na Comissão de F1, que se reuniu nesta quarta-feira (13), e agora precisam ser votadas pelo Conselho. Entre elas está o aumento do número de corridas que terão o formato sprint, testado em Silverstone e Monza e passará por uma terceira prova em Interlagos, em novembro.

Mais sprints em 2022

A proposta da Liberty Media, que controla os direitos comerciais da F1, é ter pelo menos seis sprints ao longo do ano. Embora um relatório apresentado às equipes ter mostrado retorno positivo das experiências feitas até agora, a F1 está aberta a mudanças no formato, com a possibilidade de a corrida curta do sábado ser um evento separado, dando mais pontos (atualmente, são três para o primeiro, dois para o segundo e um para o terceiro) e sem definir o grid para o domingo. Isso, contudo, só deve ser discutido após o GP de São Paulo.

O formato sprint é uma das formas que a Liberty tem buscado para gerar mais valor nos eventos da F1 ao mesmo tempo em que existe uma intenção de condensá-los. Há anos, são quatro dias de atividades, começando com entrevistas e ações de marketing na quinta-feira, treinos livres na sexta-feira, um último treino livre e a classificação no sábado, e a corrida no domingo. Porém, com o aumento do calendário, discute-se, também, diminuir as atividades para três dias.

Isso ajudaria a manter os orçamentos sob controle mesmo com o aumento do número de provas (que, por si só, gera mais receita para as equipes), e busca evitar que as equipes tenham de ter dois times de corrida (formados por cerca de 100 pessoas incluindo todas as atividades) diferentes fazendo uma rotação ao longo da temporada. Alguns deles, como a Mercedes, estão pressionando para que as equipes sejam obrigadas a fazer essa rotação, mas isso geraria mudanças no teto orçamentário de US$ 145 milhões por ano, que entrou em vigor em 2021.

Nos últimos anos, primeiro com o inchaço do calendário e depois com o fim do formato de se fazer três corridas em finais de semana seguidos, as equipes têm tido mudanças constantes em seu time de corrida, com muitos profissionais pedindo para serem realocados em postos na fábrica. Nesta temporada, serão três rodadas triplas. Uma delas, com provas seguidas no México, Brasil e Qatar. Como os mecânicos geralmente viajam na terça-feira antes da prova e voltam na segunda, isso significa quase um mês fora de casa pela terceira vez desde junho.

China é dúvida. Miami entra

imola - Joe Portlock/Getty Images - Joe Portlock/Getty Images
A pista de Imola pode voltar a receber a Fórmula 1 pela terceira temporada seguida
Imagem: Joe Portlock/Getty Images

Isso vai se repetir no calendário do ano que vem, cuja única dúvida é se o GP da China pelo menos começa confirmado ou se já será substituído por uma corrida em Imola nesta primeira versão. O país ainda tem regras rígidas para a entrada, com quarentena obrigatória de 21 dias.

Assim, a temporada começaria no final de março, no Bahrein, e terminaria no final de novembro, em Abu Dhabi, com 23 GPs. Em que pese a dúvida a respeito da prova da China, as demais serão todas as que estavam no calendário provisório de 2021, que também previa 23 etapas, mais o GP de Miami, que ficará com o lugar que ficou vago com a saída do Vietnã. E o GP de São Paulo deve seguir na mesma data próxima ao feriado da Proclamação da República.

Em 2023, a não ser que alguma das corridas que estão negociando a renovação saia do calendário, é possível que a F1 tenha 24 corridas, pois o Qatar está confirmado.

Outra mudança que precisa ser ratificada é o aumento dos testes de pré-temporada, uma vez que a F1 estreia regulamento novo ano que vem. As equipes concordaram em fazer testes de cinco dias seguidos e em diminuir o intervalo mínimo de dias até a primeira prova, para que um destes testes já seja realizado no Bahrein, dias antes da abertura da temporada.