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REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

F1 faz em Mônaco o GP mais ambicioso da pandemia, mas regras seguem rígidas

Fórmula 1 volta a Mônaco pela primeira vez desde maio de 2019 - Divulgação/Mercedes
Fórmula 1 volta a Mônaco pela primeira vez desde maio de 2019 Imagem: Divulgação/Mercedes
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

18/05/2021 04h00

A Fórmula 1 faz, neste final de semana, em Mônaco, sua primeira corrida de rua desde o início da pandemia e, por vários motivos, este também é o evento mais ambicioso em termos de organização desde que o campeonato do ano passado começou, em julho. Porém, ao mesmo tempo em que algumas restrições começam a cair, outras medidas serão ainda mais rigorosas para a quinta corrida do campeonato.

Desde a tentativa frustrada de começar o campeonato de 2020 em março, dias após a OMS declarar a pandemia, em um circuito semi-permanente em um parque no centro de Melbourne, na Austrália, todas as provas foram realizadas em circuitos permanentes que ficam afastados de grandes centros urbanos. Até mesmo corridas em autódromos como em Interlagos e na Cidade do México, que ficam incrustados em metrópoles, ficaram de fora. Em Mônaco, a F1 não apenas volta para a cidade, como também contará com a presença de público: 7.500 pessoas por dia, ou 40% da capacidade total das arquibancadas.

Este não será o primeiro evento com público nas ruas de Mônaco: na corrida da Fórmula E, realizada há pouco mais de uma semana, a lotação máxima permitida era de 6.500 pessoas por dia. Porém, no fim de semana da F1, a quantidade de pessoas que estarão circulando pelo Principado será muito maior, já que a própria estrutura da categoria é mais robusta, e traz consigo outras categorias - Fórmula 2, Fórmula Regional Europeia by Alpine e Porsche Cup - com o total de profissionais envolvidos ficando entre 4 e 5 mil pessoas.

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GP da Rússia teve a entrada de 30 mil torcedores permitida
Imagem: Maxim Shemetov/Reuters

Várias medidas que têm sido tomadas com sucesso desde o ano passado seguem valendo: cada uma dessas categorias tem seu próprio paddock e os profissionais não podem se misturar e, mesmo dentro da F1, cada equipe é uma bolha que, por sua vez, é dividida internamente em mini-bolhas. Isso facilita identificar os contatos de quem testar positivo durante o final de semana, evitando, assim, um surto dentro do paddock.

Mas os cuidados não param por aí: a Fórmula 1 sabe que seu pior fim de semana em termos de infectados foi na Rússia, em setembro do ano passado. A prova de Sochi foi, de longe, aquela que contou com o maior número de torcedores nas arquibancadas - quase 30 mil por dia - e chamou a atenção por lá o descuido com o uso de máscaras por parte de funcionários dos hotéis e restaurantes.

Isso não vai acontecer em Mônaco, onde as restrições são bem mais duras embora 35% da população tenha recebido pelo menos uma dose da vacina. Para ter acesso às arquibancadas, é preciso apresentar um teste PCR feito até 72h antes do evento. Isso já tem sido regra desde julho do ano passado para quem trabalha na F1, na qual se faz um teste de PCR, em média, a cada três dias.

As regras, no entanto, serão mais rígidas em Mônaco. Para quem vem de fora da União Europeia - ou seja, boa parte da F1, já que sete das 10 equipes estão sediadas na Inglaterra - e vai se hospedar na França para o GP, será preciso fazer um teste de PCR antes de embarcar, outro logo que se chega (esperando o resultado em isolamento) e outro no terceiro dia de estadia. E não será permitida a circulação a não ser entre o hotel e a pista. Também será necessário respeitar um toque de recolher, que é nacional na França, entre as 21h e 6h. A maioria das pessoas que trabalha no GP e também a maior parte dos torcedores acabam ficando na França. A cidade francesa de Beausoleil é grudada em Mônaco, então é uma questão de se atravessar uma rua e você já está em solo francês tendo de respeitar regras diferentes do que em Mônaco.

Para quem se hospedar no Principado, a diferença é poder jantar em restaurantes, sempre tendo de apresentar um cartão de residente, que será providenciado pelos hotéis. Mas também existe um toque de recolher das 21h às 6h. Há regras, inclusive, para quem for assistir à corrida das varandas dos prédios ou dos barcos: é preciso ficar a pelo menos 1 metro de distância um do outro e a ocupação máxima de cada barco será de 12 pessoas. Pelo menos todos poderão ver o desfile de pilotos, feito em dois caminhões com 10 pilotos em cada um deles. Será a primeira vez que haverá esse desfile desde 2019.