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Wolff explica por que Mercedes venceu tanto na F1: "Sem lugar para idiotas"

Toto Wolff é chefe da equipe Mercedes desde 2013 e venceu sete títulos mundiais à frente do time - Steve Etherington/Mercedes
Toto Wolff é chefe da equipe Mercedes desde 2013 e venceu sete títulos mundiais à frente do time Imagem: Steve Etherington/Mercedes
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

08/04/2021 04h00

Líder de uma das equipes mais vencedoras da história do esporte mundial - afinal, não é todo dia que se conquista sete títulos em sequência, seja qual for a modalidade - o comandante e sócio da Mercedes, Toto Wolff, revelou que sua primeira impressão do time quando chegou, em 2013, não foi das melhores. E disse que, em sua equipe, "não tem lugar para idiotas".

Wolff já tinha a experiência de ter investido e ajudado na gestão da equipe Williams quando recebeu o convite, no final de 2012, para liderar uma equipe que passava por um período de transição. A Mercedes tinha comprado a Brawn no final de 2009, mas Ross Brawn continuava como chefe. A Brawn foi uma equipe que disputou apenas um campeonato, em 2009, ganhando os títulos de pilotos e construtores depois de herdar um carro feito com um enorme investimento da ex-dona do time, a Honda. Ou seja, muitas trocas de comando tinham acontecido nos anos anteriores, e Wolff sentiu, logo na sala de espera, que algo importante estava faltando.

"A primeira vez que eu entrei na Mercedes, a equipe não era o que eu queria que fosse", disse o austríaco em entrevista ao podcast High Performance. "Quando sentei na recepção, nem parecia uma equipe de F1: tinha um jornal velho na mesa e uma xícara de café usada. Eu não acreditava que ali era a Mercedes. Você pode perguntar 'mas como isso impacta no rendimento do carro na pista?'. Isso mostra um tipo de atitude, falta de atenção aos detalhes. E acho que esses fatores que muitos ignoram porque não é aerodinâmica, não são números, têm de fazer parte dos valores da equipe."

Wolff acabou chegando em um momento de transformação para a equipe, que usaria a adoção da unidade de potência turbo híbrida, em 2014, para passar a dominar a Fórmula 1. Além do novo motor, a Mercedes também focou nessa nova mentalidade de dar atenção aos detalhes e, especialmente, focar na busca por soluções, e não por culpados quando algo dava errado, trazida pelo austríaco.

"Esses valores são o diferencial, e eles levam à camaradagem que temos dentro da equipe. Nós empoderamos as pessoas, culpamos os problemas e focamos em resolvê-los. E não tem politicagem. Isso acontece do lado de fora, para fazer com que as coisas aconteçam ao nosso favor. Mas, dentro da equipe, politicagem não é permitida. Não tem lugar para os idiotas, usando a máxima dos All Blacks [time de rúgbi da Nova Zelândia]. Não dá para dar lugar para o babaca genial."

Wolff é um caso bastante particular na Fórmula 1. Apesar de ser um entusiasta do automobilismo, sua carreira foi forjada no mundo dos investimentos, especialmente no ramo de tecnologia. Quando ele comprou ações da Williams, em 2009, foi visto como apenas um aventureiro, e não foi levado a sério logo de cara.

"Eu cheguei como um desconhecido", reconhece. "Eu tinha tido sucesso no mundo dos investimentos, mas o mundo da F1 é cheio de 'incestos', parece que as mesmas pessoas vão mudando de uma equipe para a outra. Onde encontrei resistência, tentei convencer. Onde não convenci, a relação acabou."

O dirigente, que reconheceu durante a entrevista que teve de se reinventar ao longo de 2020 para manter o nível de interesse alto na Fórmula 1, confirmou ao final do ano passado que fica por pelo menos mais três anos, além de ter aumentado sua participação como acionista da equipe. Ele possui, juntamente com a Mercedes e com a empresa de petroquímica INEOS, um terço do time heptacampeão.