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'Fernando' exalta personalidade forte de Alonso: "É melhor que série da F1"

Fernando Alonso já voltou a trabalhar com a Renault para retornar ao grid da F1 em 2021 - Renault/Divulgação
Fernando Alonso já voltou a trabalhar com a Renault para retornar ao grid da F1 em 2021 Imagem: Renault/Divulgação
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

25/09/2020 05h36

"Cuidado porque há duas linhas brancas na saída dos pits e pode confundir, é a segunda que vale. E depois não passe dessa outra linha branca na saída", diz Fernando Alonso aos companheiros de Toyota Kazuki Nakajima e Sebastien Buemi. Fala com os dois como se fossem novatos, como se fossem muito menos experientes do que ele. Ainda que, no Mundial de Endurance, quem tem menos quilometragem é o próprio Alonso. Os dois, no entanto, não parecem se incomodar. Já se acostumaram com o estilo controlador e obcecado do espanhol, que permeia os cinco episódios da primeira temporada da série "Fernando", que estreia nesta sexta-feira (25), pelo serviço de streaming da Amazon Prime.

alonso brasil 2005 - Clive Rose/Getty Images - Clive Rose/Getty Images
Fernando Alonso comemora primeiro título, no GP do Brasil de 2005
Imagem: Clive Rose/Getty Images

A data não é coincidência: há 15 anos, Alonso vencia pela primeira vez o campeonato da Fórmula 1. Nada, na verdade, foi coincidência na vida do espanhol, como ele mesmo conta. E a série marca justamente o início de sua experiência rumo ao desconhecido, acompanhando sua trajetória desde a despedida da Fórmula 1 até a disputa de eventos em disciplinas bastante distintas do mundo a motor, do endurance ao rally, até a decisão de retornar à F1. "Eu não tenho um plano. Minha vida inteira, eu sempre tive um plano. Eu sempre soube o que faria no ano seguinte, nos anos seguintes. Mas vai chegar um dia em que não vou saber qual o próximo passo. Talvez seja dentro do automobilismo, o que eu duvido, porque eu gosto tanto de pilotar que não me imagino como chefe de equipe, isso seria muito difícil."

Que Fernando Alonso gosta de pilotar, disso ninguém duvida. E, neste quesito, a série deixa clara a total entrega do espanhol em todos os testes, no trabalho no simulador, e até mesmo cuidando pessoalmente de detalhes como o posicionamento dos patrocinadores de acordo com as câmeras onboard de cada campeonato que disputa.

Justamente por conta disso, os melhores episódios são os que narram sua aventura no mundo dos ralis, primeiramente entendendo se poderia ser competitivo em dois eventos na África antes de decidir se disputaria o Rally Dakar, em janeiro deste ano. Lá vemos um Alonso totalmente fora de sua zona de conforto e, ainda assim, cuidando de absolutamente tudo. De colocar o lençol na cama a aprender a fazer reparos importantes no carro no meio do deserto.

alonso dakar - FRANCK FIFE / AFP - FRANCK FIFE / AFP
Fernando Alonso durante o Dakar 2020 ao lado do fisioterapeuta Edoardo
Imagem: FRANCK FIFE / AFP

Acesso raro

Chega a estranhar ver um Fernando Alonso tão aberto às câmeras. Afinal, e isso fica claro na série, quando o espanhol fala da maneira como acabou se fechando depois que, de uma hora para a outra, quando começou a ganhar na Fórmula 1, tornou-se uma celebridade na Espanha. Daí em diante, seu círculo de convivência ficou restrito à família, seu melhor amigo Alberto Fernandez, mais conhecido como Galle, seu empresário, Luis Garcia Abad, e o fisioterapeuta e cunhado Edoardo Bendinelli, com a adição da namorada desde 2016 Linda Morselli.

"Você tem razão, provavelmente minha maior dificuldade foi mostrar minha vida privada", disse Alonso em entrevista à coluna. "Em todos os documentários, você tem de mostrar coisas que vão além do profissional. Mas eles foram muito gentis comigo. Depois de dez minutos, eu não percebi que eles estavam na minha sala. Houve algumas negociações porque eles perguntavam 'o que você vai fazer agora?' e eu dizia 'vou jantar com meus amigos'. E dizia que talvez fosse melhor que eles não acompanhassem, porque seria um momento diferente. Então eles falavam que gravariam mas, se eu quisesse tirar, não teria problema."

Mas Alonso garante que só algumas cenas foram cortadas. "Deletei umas quatro ou cinco cenas porque eu não estava tão bonito."

E, para quem sempre foi tão fechado com a vida pessoal, a ponto de comemorar em um momento na série o fato de cultivar a imagem de frio e distante, parece que Alonso gostou da brincadeira, já que está filmando a segunda temporada da série, que avisa: é melhor do que a Dirigir para Viver, que mostra os bastidores da F1. "Eu explico: no Dirigir para Viver, você está interagindo com um profissional, então não é natural. No 'Fernando', são imagens que todos teríamos nos nossos telefones. É mais natural. Então acho que as pessoas vão gostar mais desse."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.