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Um Schumacher no grid e mudanças na Red Bull: as novidades do mercado da F1

Mick Schumacher já testou com a Ferrari no Bahrein ano passado - Andrej Isakovic/AFP
Mick Schumacher já testou com a Ferrari no Bahrein ano passado Imagem: Andrej Isakovic/AFP
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

18/09/2020 04h00

O mercado de pilotos da Fórmula 1 para 2021 já é um dos mais movimentados dos últimos anos, com um dominó que começou a cair desde que a Ferrari confirmou que Sebastian Vettel não teria seu contrato renovado. Uma série de anúncios em maio fechou vagas importantes na parte de cima do pelotão, mas ainda há muita indefinição. Em teoria, oito das 20 vagas estão em aberto, e há a possibilidade de termos o nome Schumacher de volta ao grid, e de que a Red Bull desista de uma política que dura mais de 10 anos na equipe.

Mexicano é peça central

Se há oito vagas em teoria é porque o hexacampeão Lewis Hamilton ainda não anunciou sua renovação com a Mercedes, mas isso é tido como uma questão de tempo (tanto de tempo para anunciar, quanto de tempo de contrato, e o tempo que o inglês está levando para entender qual o cenário da equipe a médio prazo). Vagas incertas mesmo são sete, e tudo parece girar em torno do nome de Sergio Perez.

Ele é o piloto do meio do pelotão com mais pódios em times medianos, tem 10 temporadas de experiência e bons patrocinadores. Sergio Perez é um pacote muito interessante, e até a Red Bull estaria interessada, de acordo com pessoas próximas ao mexicano. A sondagem teria sido feita no último final de semana, depois que foi confirmado que Perez perdera a vaga na Aston Martin (atual Racing Point) para Sebastian Vettel no ano que vem, e somente se tornará uma conversa mais séria se o titular Alex Albon não render bem de forma consistente, ficando a pelo menos três ou quatro décimos de Verstappen. E, em Mugello, o tailandês chegou ao primeiro pódio na carreira.

O interessante desta conversa é que demonstra uma mudança na abordagem da Red Bull, que há mais de uma década só busca pilotos dentro de seu próprio programa, usando a AlphaTauri (ex-Toro Rosso) como primeiro degrau. Mas, desta vez, os chefes Christian Horner e Helmut Marko não querem promover Pierre Gasly de volta ao time principal, nem veem futuro em Daniil Kvyat, que deve perder sua vaga para o japonês Yuki Tsunoda, caso ele consiga pelo mesmo um quinto lugar na F2 e, com isso, obtenha a superlicença. Tsunoda é indicação da parceira de motores Honda, e vem demonstrando evolução em 2020.

Filho de Schumacher está próximo de vaga

Perez também mantém conversas com a Alfa Romeo, para o que seria a vaga de Kimi Raikkonen. Prestes a completar 41 anos, o finlandês demonstrou que ainda lhe sobra garra ao escapar de toques e acidentes e pontuar em Mugello, ao mesmo tempo em que já disse algumas vezes que talvez tenha chegado o momento de ficar mais com a família. "Kimi é nossa prioridade, primeiro temos que ver o que ele quer fazer e o que queremos fazer com ele e, a partir daí, vemos os demais", disse Frederic Vasseur, chefe da Alfa, que também estaria conversando com Nico Hulkenberg, que fez um bom trabalho ao substituir Sergio Perez quando o mexicano esteve infectado com covid-19.

O mexicano, inclusive, também pode ter a McLaren como destino, mas não na F1: o time o vê com bons olhos para um cockpit em seu time na Indy.

mick schumacher - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Mick Schumacher comemora vitória na Fórmula 2, em Monza
Imagem: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

A outra vaga do time, atualmente com Antonio Giovinazzi, é de indicação da Ferrari. Como o italiano segue inconstante em sua segunda temporada, e Mick Schumacher, piloto da academia ferrarista, vem crescendo na F2 e é atualmente o líder do campeonato, é difícil imaginar que não haverá uma troca ano que vem. É esperado, inclusive, que Schumacher participe de uma sessão de treinos livres na prova de Nurburgring, na Alemanha, pela Alfa.

Haas está em posição confortável

Com tantos pilotos no mercado, a Haas está em uma posição muito boa para definir sua dupla para o ano que vem, podendo esperar o desfecho do que acontecerá na Alfa e acabar com Perez ou Hulkenberg na equipe. "Vocês estão vendo que estou muito calmo", disse o chefe Guenther Steiner horas após o anúncio de Vettel. "Queremos manter nossos pilotos? Queremos pilotos mais experientes? Queremos apostar em pilotos jovens? Queremos uma mistura dos dois? Tudo está na mesa."

pietro fittipaldi - Marco Canoniero/LightRocket via Getty Images - Marco Canoniero/LightRocket via Getty Images
Pietro Fittipaldi, piloto da Haas, da Fórmula 1
Imagem: Marco Canoniero/LightRocket via Getty Images

Até agora, a caçula do grid preferiu apostar em pilotos que trazem patrocínio e têm experiência, justamente porque o time foi composto com muitos membros vindos da então GP2. Mas em uma possível mudança de atitude, quem poderia se dar bem é o brasileiro Pietro Fittipaldi, que está com o time há dois anos como piloto de testes. Há comentários também no paddock de que a Haas poderia buscar um norte-americano, como Josef Newgarden. Os dois pilotos atuais, Kevin Magnussen e Romain Grosjean, admitem que ainda não começaram a discutir a possibilidade de renovar seus contratos com o time.

Com o campeonato se estendendo até meados de dezembro, é possível que essa decisão também demore a sair. A Fórmula 1 tem mais sete corridas pela frente, sendo que a última será em Abu Dhabi, no dia 13 de dezembro.