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Como a chuva e o "frio" podem mudar a cara do GP da Hungria

Valtteri Bottas, da Mercedes, durante treino com chuva para o GP da Hungria - LAT/Mercedes
Valtteri Bottas, da Mercedes, durante treino com chuva para o GP da Hungria Imagem: LAT/Mercedes
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

17/07/2020 15h16

A Fórmula 1 espera chuva para a classificação e para a corrida na Hungria mas, quando a água caiu na segunda sessão de treinos livres nesta sexta-feira, os pilotos evitaram ficar por muito tempo na pista e sete dos 20 sequer marcaram tempo. Como explicar isso? A grande preocupação era economizar pneus de pista molhada para os próximos dias, e a experiência recente de ter andado na chuva no último sábado no Red Bull Ring também colaborou para os pilotos preferirem ficar nos boxes. Mas essa condição toda diferente pode mudar a cara do final de semana.

O que diz a previsão do tempo?

O sábado no Hungaroring deve ser bem parecido com a tarde da sexta-feira, com chuva não forte por várias horas seguidas, pegando desde a terceira sessão de treinos livres, que começa às 7h da manhã pelo horário de de Brasília, até pouco antes da classificação, que começa às 10h. Mas o que aconteceu durante as várias categorias que estiveram na pista na sexta indica que o asfalto deve demorar para secar devido à umidade e às temperaturas relativamente baixas, abaixo dos 20 graus. Geralmente, os termômetros marcam perto de 30ºC no Hungaroring época.

No domingo, a possibilidade de chuva para a hora da corrida, que começa às 10h10 pelo horário de Brasília, é menor, mas existe. A preocupação em relação à classificação é grande, já que é notoriamente difícil ultrapassar no circuito de Budapeste.

Quantos pneus de chuva cada piloto tem?

São apenas três jogos de pneus de chuva e quatro intermediários, sendo que cada piloto recebe mais um jogo de intermediários caso a última sessão de treinos livres seja no molhado, como deve acontecer. Então a grande preocupação das equipes nesta sexta-feira era economizar os pneus de chuva mais forte, de banda azul. E a pista estava molhada demais para os pilotos usarem os intermediários. As melhores voltas ficaram na casa de 1min40 e seria preciso baixar para cerca de 1min33 para os intermediários renderem bem.

As equipes também podem usar as informações da corrida da Estíria, semana passada, quando a classificação foi disputada com pista seca. A pista na Áustria tem menos freadas, então é teoricamente mais difícil de aquecer os pneus por lá. Porém, o tempo de volta em Budapeste é maior, então é mais difícil fazer várias voltas em sequência, como aconteceu na classificação da semana passada.

E Lewis Hamilton vê ainda outra dificuldade. "Achei a pista aqui mais escorregadia do que estava na Áustria, mesmo que nós estejamos usando a configuração com o máximo de pressão aerodinâmica nesta pista", avaliou.

E se não chover?

Há grandes chances de que chova no último treino livre no sábado de manhã e a pista esteja úmida ainda pelo menos no início da classificação, mas não na corrida. Isso vai gerar dificuldades para as equipes pela falta de tempo de pista.

No último treino livre no seco, a Mercedes foi mais rápida, mas Hamilton afirmou que o comportamento do carro não era dos melhores. "Nós fizemos mudanças, mas não conseguimos testá-las para saber se elas deram certo ou não."

sainz - Bryn Lennon/Getty Images - Bryn Lennon/Getty Images
Carlos Sainz está preocupado com ritmo
Imagem: Bryn Lennon/Getty Images

Outras equipes estão no mesmo barco, como a McLaren, segunda no mundial. O time se surpreendeu negativamente com o desempenho do carro nos primeiros treinos livres. "Ficar a meio segundo da Racing Point e fazer o mesmo tempo da Renault sendo que eles estavam com pneus médios é algo que nos preocupa um pouco", admitiu Carlos Sainz.

Com ou sem chuva, a temperatura mais baixa do que costuma estar em Budapeste nesta época do ano fez com que os pneus sofressem graining, fenômeno que acontece quando o pneu funciona abaixo da temperatura ideal e que faz o piloto sentir perda de aderência. Isso é algo que os engenheiros podem tentar evitar com mudanças no acerto do carro, mas não poderão provar no terceiro treino livre caso a previsão de chuva se mantenha.

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