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Conheça uma japonesa de 14 anos que já foi chamada de 'nova Verstappen'

A japonesa Juju Noda posa com seus troféus do Campeonato Dinamarquês de F4 - Noda Team
A japonesa Juju Noda posa com seus troféus do Campeonato Dinamarquês de F4 Imagem: Noda Team
Julianne Cerasoli

Fã de Fórmula 1 desde a infância, Julianne Cerasoli nasceu em Bragança Paulista (SP) e hoje vive em Londres (Inglaterra). Atua como jornalista desde 2004, tendo trabalhado com diversos tipos de mídia ao longo dos anos, sempre como repórter esportiva e com passagem como editora de esportes do jornal Correio Popular, em Campinas (SP). Cobrindo corridas in loco na Fórmula 1 desde 2011, começou pelo site especializado TotalRace e passou a colaborar para o UOL Esporte em 2015, e para sites e revistas internacionais. No rádio, é a repórter de Fórmula 1 da Sistema Bandeirantes de Rádio desde 2017, e também faz participações regulares no canal Boteco F1, o maior dedicado à categoria no YouTube. Em 2019, Julianne criou o projeto No Paddock da F1 com a Ju, na plataforma Catarse, em que busca aproximar os fãs da Fórmula 1 por meio de conteúdo on demand e podcast exclusivo com personagens da categoria. Neste espaço: Única cobertura in loco de toda a temporada da Fórmula 1 na mídia brasileira, com informações de bastidores, entrevistas exclusivas, análises técnicas e uma pitada de viagens.

Colunista do UOL

23/06/2020 04h00

Já faz tempo que a carreira de Juju Noda desperta muita expectativa no mundo do automobilismo. Isso mesmo que ela só tenha 14 anos. No último final de semana, a espera pela estreia da japonesa em solo europeu acabou com uma vitória logo na primeira prova. Nas duas outras baterias, ela até experimentou uma "novidade" para quem se acostumou a liderar as provas de ponta a ponta no Japão: saindo de último na terceira bateria, teve de ultrapassar. E chegou em quarto.

Mas por que há tanta atenção em cima de Noda? Isso tem muito a ver com a pouca informação que se tem sobre a piloto somada a seus feitos, que vêm sendo noticiados há anos. Sempre correndo no Japão, ela venceu logo em sua primeira corrida de kart, aos 4 anos. E foi subindo rapidamente de potência nos karts, pilotando em categorias destinadas a pilotos bem mais velhos. Aos 7 anos, por exemplo, ela já começou a treinar com a categoria Rotax, o que normalmente só acontece com adolescentes de 13 a 15 anos. Aos 8, venceu as quatro corridas que disputou na 125cc Rotax Max. E aos nove pilotou pela primeira vez um carro de fórmula.

São feitos impressionantes até se comparados com o piloto mais precoce da Fórmula 1, Max Verstappen. O holandês também começou a pilotar karts aos 4 anos, e foi para a Rotax aos 8, ganhando o campeonato belga. A partir daí, a opção da carreira de Juju foi diferente, buscando uma introdução acelerada aos carros de fórmula, enquanto Verstappen fez uma carreira longa no kartismo e pulou direto para o F3, mas aos 16 anos. E em 14 meses estava na F1.

No ano em que Verstappen estava indo para a Red Bull e ganhando sua primeira corrida, Juju Noda, aos nove, se tornava a primeira piloto ainda no Ensino Fundamental a pilotar um carro de F4, com direito a quebra de recorde no circuito de Okayama no ano seguinte. Aos 11, testava pela primeira vez um carro de F3, mais potente. Ano passado, Noda disputou o único campeonato que poderia por conta da idade no Japão com carros de F3, o U17. Eram quatro corridas em Okayama, com traçados diferentes e sete a oito pilotos por prova. E ela venceu todas elas.

Sabendo que teria de esperar até 2021 para disputar campeonatos maiores no Japão, ela decidiu ir para um dos poucos países que permitem que pilotos de 14 anos andem de carros de fórmula, a Dinamarca.

Desde o início deste ano, ela tem feito testes privados na Europa, apoiada por um grupo de sete pessoas vindas do Japão e seu pai, Hideki Noda, que teve carreira curta na F1 e fez mais sucesso na Indy e na Super Formula japonesa entre as décadas de 1990 e 2000. A Noda Racing inclusive está baseada perto do circuito de Padborg Park, que faz parte do calendário.

Em sua estreia na Europa, ela ficou com a pole position depois do único piloto que andava no mesmo ritmo que ela, Conrad Laursen, teve sua volta apagada por desrespeitar uma bandeira amarela. Ela comandou a corrida de ponta a ponta e venceu na estreia em solo europeu, com pista úmida. Vale lembrar que o grid tem carros de F4 e de F5, que são tão potentes quanto, mas mais leves, embora tenham um câmbio pior.

Na segunda prova, teria que largar em oitavo, de acordo com as regras. Ela passou três nos primeiros metros, foi passada de volta por Laursen, mas depois superou mais três carros em uma relargada após um Safety Car. Foi desclassificada porque o pneu não tinha sido registrado, o que não indica ganho de performance, e sim um erro de procedimento da equipe.

Largou em 12º lugar na terceira bateria, e chegou em quarto. "Não estou acostumada a ultrapassar no Japão porque eu normalmente largo na frente e faço minha própria corrida. Acabou sendo melhor do que eu esperava porque foi muito divertido! Não assumi riscos desnecessários. Toda essa experiência me deu mais confiança, principalmente na última corrida porque me senti confortável com uma situação que era muito nova."

O campeonato dinamarquês de F4 terá ainda mais quatro rodadas triplas, e as próximas provas serão no mesmo circuito da estreia, em Jyllandsringe, entre 21 e 23 de agosto.

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