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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Campeã mundial de basquete, Ruth morre de covid aos 52 anos

Ruth recebe medalha do Pan de 1991 das mãos de Fidel Castro - Divulgação/CBB
Ruth recebe medalha do Pan de 1991 das mãos de Fidel Castro Imagem: Divulgação/CBB
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

13/04/2021 10h08

Morreu hoje (13) campeã mundial de basquete Ruth de Souza, de 52 anos, vítima da covid. Ela estava internada na UTI desde o fim de março em Três Lagoas, no interior do Mato Grosso do Sul, onde morava. O falecimento foi confirmado à reportagem por uma sobrinha dela.

Conhecida como Rutão, a pivô foi descoberta em Três Lagoas mesmo e disputou os Jogos Pan-Americanos de Havana, a Olimpíada de Barcelona, e foi campeã mundial com a seleção brasileira em 1994. Ela depois voltou para a cidade, onde era técnica da equipe de basquete da prefeitura.

Internada no fim de março, Ruth precisou ser intubada no último dia 2 e chegou a apresentar uma melhora no seu quadro clínico antes da piora no fim da semana passada. Na manhã de hoje, ela não resistiu a essa batalha e faleceu às 6h30, de acordo com a família.

"Perdi uma amiga, com uma história de vida de muitos desafios, mas jamais perdeu sua doçura e sempre com seu jeito humilde e eficiente na convivência em grupo. É um dia muito triste para mim. Ruth fazia parte da minha família e era sempre recebida com carinho, como merecia. Que ela faça esta passagem com muita luz", comentou Magic Paula, que foi sua companheira de seleção e no XV de Piracicaba, onde Ruth jogou a maior parte da carreira.

De acordo com Hortência, as jogadoras campeãs mundiais, que têm um grupo de Whatsapp, vinham acompanhando angustiadas a luta de Ruth contra a covid. "O que temos a fazer é agradecer o que ela fez pelo basquete feminino. E que Deus a receba de braços abertos. O basquete está triste. E vamos rezar para que ela seja recebida com festa lá no céu".

"Minha amizade com a Ruth tem 40 anos. Cheguei em Piracicaba aos 12 anos, ela já estava lá. Eu morava na república do lado da dela, e a Ruth me acolheu como uma irmã mais nova. Jogamos juntas no clube, seleções, ela sempre muito sincera, nos contagiava com sua alegria e maneira simples de ser, me ligava sempre. Perdi uma irmã, estou muito triste e abalada. Ruth vai fazer muita falta, como serão nossos encontros sem ela? Tinha um coração enorme, sei que está em um bom lugar", lamentou Roseli.

Janeth disse que sempre foi muito amiga de Ruth. "Tenho lembranças muito boas. Tinha conversado com ela até um tempo antes dela se internar. E aí fiquei muito triste com a notícia da internação e agora com o falecimento dela. É isso. Lembrar da Ruth com aquele sorriso, aquela alegria dela. E o quanto ela gostava de fazer o bem para as pessoas".

Em março, o Brasil havia perdido outra grande jogadoras de basquete vítima da covid: Soraya Brandão, de 63 anos. Formada em São Roque, no interior de São Paulo, ela disputou o Mundial de 1983, em que o Brasil ficou na quinta colocação, foi bronze no Pan do mesmo ano e ouro no Sul-Americano de 1981.

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Errata: o texto foi atualizado
Ruth estava internada em Três Lagoas-MS, não Sete Lagoas-MG.