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COB mantém projeto de levar atletas para Europa apesar de proibição

Simbolo do COB - Divulgação
Simbolo do COB Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/06/2020 14h17

A decisão da União Europeia de não autorizar a entrada de brasileiros enquanto não houver o controle da pandemia no país altera, mas não cancela o plano do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de levar mais de 200 atletas para treinar na Europa, principalmente em Portugal, enquanto o Brasil segue como um dos focos da pandemia. Em nota nesta terça-feira, o órgão disse que a "Missão Europa" continua de pé.

"A entidade trabalha para realizar a Missão Europa com a janela de execução de julho a dezembro e acredita que, dentro desse intervalo, será possível o envio de atletas brasileiros para treinamento no continente europeu", disse o comitê.

Nos bastidores, porém, é grande a incerteza sobre a viabilidade do projeto do COB. Ainda que desde a primeira vez que tratou publicamente da Missão Europa o comitê tenha afirmado que o planejamento era de julho a dezembro, todo o cronograma passado às confederações era de treinamentos entre julho e agosto. Os atletas que mais tempo ficariam em Portugal, por 45 dias, seriam os do judô. Eles viajariam entre 9 e 10 de julho e permaneceriam lá até 23 de agosto.

A ida à Europa o quanto antes atende um desejo dos atletas brasileiros de nível olímpico, cada vez mais angustiados. Eles acompanham rivais de outros países treinando normalmente, preparando-se para os Jogos Olímpicos de Tóquio, mas estão impossibilitados de treinar no Brasil. Levá-los logo a Portugal seria uma forma de não permitir que o treinamento deles fique tão defasado na comparação com os adversários.

Como mostrou o blogueiro do UOL Notícias Jamil Chade, a tendência é que os turistas brasileiros sejam barrados na Europa ainda por semanas. A União Europeia vai revisar a lista de autorizações a cada 15 dias, mas o Brasil está longe de atingir os critérios exigidos, como número de novos casos próximo ou inferior ao da média europeia.

Enquanto não vier a autorização, o COB não pode arriscar comprar passagens aéreas, porque, se tiver que cancelá-las, não pode usar recursos públicos para pagar eventuais multas por remarcação. Em nota, o comitê diz que só vai comprar bilhetes com "a garantia da permissão de entrada de cidadãos brasileiros em Portugal".

"Se não for possível, o COB vai observar os protocolos de cada esporte, o que permitirá a retomada da prática esportiva no Brasil, adequada às normas de saúde pública, definidas por cada estado e município", diz o COB na nota. A entidade já discute um plano B, que seria levar atletas para estruturas de cidades brasileiras em que a pandemia está mais bem controlada.

O COB disse ainda que "trabalha para reabrir o CT Time Brasil (o Centro Aquático Maria Lenk) aos atletas até o final do mês de julho", seguindo rigorosamente o protocolo apresentado pelo próprio comitê. O órgão responsável pelo esporte paraolímpico, o CPB, recebeu autorização para reabrir o Centro Paraolímpico em São Paulo já esta semana. Ali vão treinar atletas de alto rendimento de natação, atletismo e tênis de mesa.