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Milly Lacombe

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ganso ensina: é prudente não vaiar à toa o craque do time adversário

Ganso, do Fluminense, comemora gol contra o Santos pelo Brasileirão -  NAYRA HALM/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Ganso, do Fluminense, comemora gol contra o Santos pelo Brasileirão Imagem: NAYRA HALM/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Colunista do UOL

02/08/2022 14h48

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Santos e Fluminense se enfrentaram na Vila Belmiro pelo Brasileirão. Ganso, que escreveu história linda no Peixe e faz pouco tempo quase voltou para a baixada, foi vaiado sem parar a cada toque na bola desde o primeiro minuto.

Quando percebi o volume das vaias pensei comigo que talvez o mais correto, para fins de justiça poética e para não cutucar o cara que tem a capacidade de acabar com um jogo, seria aplaudi-lo. Como Ganso reagiria se a cada toque na bola tivesse seu nome gritado?

Mais ou menos como fez a torcida do Corinthians no Pacaembu com Casagrande quando o time jogou contra o Flamengo e Casão vestia a camisa rubro-negra.

Casão foi muito aplaudido durante a partida e teve música cantada pedindo que voltasse para casa. Visivelmente emocionado, o craque não decidiu o jogo naquele dia.

Na noite de segunda-feira, Ganso pegou as vaias e as transformou em criatividade. Fez uma partidaça e na hora de bater o penalti, com as vaias ganhando força, pegou a bola e disse: deixa comigo.

Maroto e confiante, bateu com cavadinha e saiu regendo as vaias como quem diz: vaiem mais.

Errado não está.

Assim como a torcida tem o direito de vaiar, o craque tem o direito de deixar em campo sua marca e tentar silenciar as vaias - ou regê-las.

Ao final, com o empate fora de casa contra um grande time, Ganso vestiu a camisa santista que trocou com alguém em campo e, tão feliz quanto suado, foi com ela para os vestiários.